"A chispa"

Este blog é um espaço para o debate e para a produção de pensamento crítico desde a educação. A idéia nasce da tentativa de alguns estudantes e professores de História e Filosofia de socializar experiências e construir práticas alternativas; Fazer um processo coletivo de produção de conhecimento, indagando a função social do professor e ao mesmo tempo pensar a "práxis" de maneira coerente e comprometida com a nossa realidade social. Neste espaço debateremos questões teóricas relacionadas a educação e também abriremos o espaço ao debate político, pois é inegável a relação que existe entre educação e política. Convidamos a todos aqueles que queiram fazer o debate sério e propositivo. Mãos a obra e ao debate!

quinta-feira, 24 de junho de 2010


COPA 2014 BRASIL

13.7.10


COPA 2014


Copa do Mundo do Brasil: Vamos colocar nosso time em campo e nas ruas.
Como diria o Galvão Bueno: Acabooooou!!!!!! Agora só em 2014 e será aqui no Brasil.
A Copa de 2010 na África do Sul, a primeira no continente africano, serviu para demonstrar que o futebol continua forte dentro e fora de campo. Porém de dentro das quatro linhas saiu vencedora a seleção que priorizou jogar bonito em busca da vitória, nos bastidores e tapetões quem se deu bem foi a cartolagem. A FIFA conseguiu impor suas ordens e lucrou bilhões de dólares ao lado de seus patrocinadores exclusivos.
O mundial que prometia integrar o continente africano ao mundo serviu para comprovar que trabalhadores e burgueses jogam em times opostos. Na base do superfaturamento (todos os orçamentos estouraram e o custo da Copa da África quase triplicou) e da superexploração do trabalho os trabalhadores sul-africanos e imigrantes que foram submetidos a longas jornadas de trabalho, salários miseráveis e duríssima repressão viram a copa do lado de fora dos estádios, não muito diferente da época do Apartheid.
Com o que aconteceu na África do Sul não temos motivos para achar que em nosso país de políticos e empresários corruptos as coisas serão diferentes. Com certeza teremos de seguir o exemplo dado pelos nossos irmãos africanos que nunca esmoreceram e com greves e manifestações, inclusive durante os jogos botaram seu time em campo sempre em busca da vitória por uma vida digna.
Valeu pela companhia. Até 2014. Nos campos e nas ruas.





Caso Bruno: Violência contra a mulher

Mais um crime contra a mulher no futebol

Goleiro do Flamengo é acusado de matar ex-namorada

LUCIANA CANDIDO


• Infelizmente, em meio à Copa do Mundo que faz bilhões de pessoas vibrarem em todo o planeta, o futebol é cenário de um caso revoltante de violência à mulher. O goleiro do Flamengo, Bruno, mais uma vez, é o protagonista de uma história que já era grave e chegou ao extremo por causa da impunidade. Ele é suspeito de matar e ocultar o cadáver de Eliza Samudio, com quem teve um relacionamento e um filho.

Eliza, 25 anos, está desaparecida há três semanas. Segundo amigas, ela teria ido passar uma temporada com o filho no sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG). Bruno, com a ajuda de amigos, teria sequestrado a jovem e o bebê de quatro meses que seria filho do jogador. Eles teriam espancado Eliza até a morte e depois enterrado o corpo na propriedade do jogador.

A criança foi entregue a um terceiro pela esposa de Bruno, Dayanna Souza, que foi presa na sexta-feira e liberada em seguida. A pessoa depôs dizendo que tinha sido orientada a fazer o bebê desaparecer. O pai de Eliza já encontrou o menino e conseguiu sua guarda.

Esse não é apenas um episódio, mas mais um ato de um espetáculo de terror. A história de violência de Bruno com Eliza teve um crescimento gradual e podia ter sido interrompida.

Em outubro de 2009, Eliza Samudio, grávida de cinco meses, denunciou Bruno de tê-la sequestrado, ameaçado de morte, agredido fisicamente e apontado uma arma para a sua cabeça. Três amigos ajudaram Bruno. Ele a agrediu fisicamente.

Ela conta que Bruno dizia: 
“Eu não sei se te mato, não sei o que eu faço”. Ele queria que ela fizesse um aborto e tentou forçá-la a tomar Citotec, medicamento utilizado no tratamento de úlcera que pode provocar aborto. Ela recusou e ele a levou para o seu apartamento, onde lhe deu remédios sedativos e uma bebida que a moça não identificou.

Mesmo com as ameaças para que Eliza não recorresse à polícia – ele ameaçou matar a ela, à família e às amigas – ela recorreu à Delegacia de Atendimento à Mulher. O que aconteceu com Bruno? Nada. Continuou livre e, assim, confiante para levar à violência às últimas consequências.
Um crime previsível
O perfil do goleiro já era conhecido. Quando o então jogador do Flamengo Adriano – hoje no Roma da Itália – agrediu de forma selvagem a ex-namorada Joana Machado, Bruno deu uma entrevista coletiva, defendendo o colega. Justificando a agressão de Adriano a Joana, Bruno disse aos jornalistas: 
“qual nunca saiu na mão com sua mulher?”

No episódio, ocorrido em março, Adriano, Vagner Love, Bruno e Álvaro saíram de um jantar na luxuosa Barra da Tijuca e foram para um baile funk no Morro da Chatuba. Joana, então noiva de Adriano, foi atrás do craque para exigir satisfações. Joana atirou pedras nos carros dos jogadores, fato que foi mais destacado pela imprensa do que o que aconteceu depois.

Bruno, goleiro e capitão do Flamengo, conteve a moça aos gritos, quando ela se dirigiu ao seu carro, de forma nada gentil: 
“O meu carro você não quebra, não, sua puta”. Adriano tentou segurar Joana, que revidou. Ele não teve dúvidas: bateu na namorada, pediu aos traficantes que a expulsassem da favela e, caso ela resistisse, que a amarrassem numa árvore e a deixasse até o sol raiar.

O noticiário nacional tratou o caso como um “barraco”. Dois dias depois, a notícia era sobre a reconciliação do casal. Só uma sociedade doente e moralmente degenerada permite uma inversão dessas.

O que assusta é a naturalização como a violência à mulher é tratada. Só agora, depois desse filme de terror, Bruno foi afastado do Flamengo.
O carro de luxo, a mansão e a mulher
Há tempos que os jogadores deixaram de ser ídolos por causa de seu belo futebol, como foram Garrincha, Tostão, Pelé e tantos outros. Atualmente, a maioria deles é celebridade, como qualquer astro de Hollywood.

Com salários milionários, que um trabalhador não recebe numa vida inteira de suor, compram o que querem. E não são só os salários. É normal os mais famosos passarem mais tempo fazendo propagandas publicitárias do que treinando.

Para eles, a mulher é apenas mais uma coisa que eles podem comprar. É como a Ferrari, o Jaguar, o Lamborghini, a mansão na Europa, o apartamento de luxo na Barra da Tijuca.

Como ídolos, eles são referência para milhões de pessoas comuns, trabalhadores e jovens. Esses reproduzem suas atitudes. Os exemplos não faltam. Felipe Melo, volante da seleção brasileira, chamou a bola Jabulani de 
“patricinha que não gosta de ser chutada”.

A impunidade de Bruno e de outros jogadores e a falta de reprovação e condenação às falas machistas constantes autorizam qualquer homem a fazer o que bem entende com as mulheres, pois nada acontece com eles.

Para que serve a Lei Maria da Penha? Se já não funciona em tantos casos para as mulheres pobres denunciarem seus companheiros, menos efeito ainda tem sobre pessoas importantes, com um poder financeiro e social, como têm os jogadores. No caso Bruno, a lei sequer o intimidou.

Assista à entrevista que Eliza Samudio deu ao jornal Extra em 2009:




Entrevista com Sócrates sobre o futebol e a copa do mundo.

Sócrates: "Imagina a Gaviões da Fiel politizada! Esse é o grande medo do sistema" 

Confira a entrevista concedida por Sócrates ao Sintrajud-SP (Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal do Estado de São Paulo), pouco antes do início da Copa do Mundo.

CARLOS EDUARDO BATISTA E CÉSAR LIGNELLI, DO SINTRAJUD


• Como você está vendo a organização da Copa do Mundo aqui no Brasil daqui a quatro anos?
SócratesAqui no Brasil, ainda não há organização nenhuma, pelo que eu saiba. Na verdade, existe uma desorganização dirigida para que os investimentos que sejam alocados nas obras não passem por licitações, então estão protelando o máximo possível para que isso ocorra.
Você acha que é intencional?
É claro! Isso aconteceu no Pan-Americano, acontece sempre. Quanto mais demorado melhor, porque aí tudo é feito a toque de caixa, e a toque de caixa tem situação emergencial que vale a pena para desviar alguma coisa.
Você acha que a exclusão do Morumbi como um estádio da Copa tem a ver com isso?
Não tenho dúvida. Eles querem construir um outro estádio. Desde o começo estava na cara, criaram todo tipo de dificuldade. E acho que o São Paulo fez certo, fazer um investimento de 700 milhões no Morumbi? É mais fácil o São Paulo construir outro estádio.
Você acha que o interesse é mais econômico ou político?
É para-econômico. Não é nem econômico. Economicamente não poderíamos escolher Manaus em vez de Belém. Cuiabá como sede, onde eles vão ter que construir o estádio para depois ficar parado, Brasília a mesma coisa, Natal a mesma coisa. É não é interesse econômico. É desperdício de dinheiro. Desperdício econômico. É para-econômico, para desviar verba.
Você não vê o fato de o São Paulo ter encabeçado uma chapa de oposição na eleição do Clube dos 13 como um elemento para a exclusão?
Não, isso vem lá de fora. Todos os estádios vão ser reformados. Alguns com um custo absurdo. Deve ser a quinta ou sexta vez que fazem reforma no Maracanã nos últimos três anos. O Minerão também. Vão construir outro na Bahia. Entendeu? É pro dinheiro andar. Andando o dinheiro alguém tá ganhando. Seja quem constrói, quem administra. O único que não ganha é o povo.
Você sempre diz que atualmente o futebol tem mais força do que arte. Você acha que a Copa de 1982 foi um marco na consolidação do esporte como está hoje?
Não existe um divisor aí. O que ocorre é uma falta de adaptação do futebol com a evolução física dos atletas. A questão não é só filosófica, claro que isso faz parte do processo. Mas ela é muito mais dependente da questão física. Inclusive na minha tese de mestrado, seria nove contra nove, tirar dois jogadores de cada time. Quer dizer, você resgatar os espaços que tínhamos há anos atrás. Então vão ter que jogar. Hoje tem gente que se esconde. Você pega um back central da vida ai que não sai do lugar. A única coisa que ele faz é chutar a bola pra frente, pro lado, isso não é jogar futebol. Com nove contra nove, o back central vai ter que saber jogar. Não só ele, todos vão ter que saber jogar, porque a bola vai correr.

Na verdade o futebol é um dos poucos esportes que não se adaptou a essa evolução. Imagine uma prova de atletismo, 100 metros, hoje, com cronômetro manual... Iria dar empate para caramba. Ou 50 metros na piscina. Tem que se adaptar a isso. E futebol não mudou nada. Não quer mudar. Nem tecnologia se utiliza para se dirimir as dúvidas de arbitragem.
Você não acha que essa não adaptação beneficia maus jogadores, que mesmo não tendo tanto talento, mantêm contratos milionários?
Hoje, na verdade, se nivelou o futebol. Um ou outro jogador que se destaca, que tem mais técnica, mais talento. Na verdade, todo mundo privilegia o físico hoje e é isso que impera no futebol. Seja na seleção de Honduras, você comparar com a seleção da Inglaterra. Você vê as equipes que se classificaram, tem time que nunca passou para a segunda fase e tem um monte na segunda fase, tá tão igual.
Como foi a democracia corinthiana?
Uma sociedade que decidia tudo no voto e a maioria simples levava vantagem nas decisões, absolutamente democrático. O roupeiro tinha o mesmo peso de voto de um dirigente.
Como a direção do time reagiu? Não só a direção, mas os patrocinadores, o Leão quis dar uma pernada?
O Leão não dava pernada em ninguém, ele nunca votou ué. Um voto nulo, em branco. Se você não quer participar de uma sociedade você não vota e agüente a decisão da maioria. A direção participava, um voto era da direção do clube e não tinha patrocinador, nessa época não tinha essas coisas.
Esse foi um dos poucos momentos em que o futebol cumpriu um papel mais positivo politicamente?
Na verdade cumpriu um papel importante nesse processo de redemocratização, porque o processo corintiano começou dois anos antes da grande mobilização das Diretas Já! Acho que foi um fator importantíssimo na discussão da realidade política brasileira. Você está dentro de um meio extremamente popular, com uma linguagem que é acessível a todo mundo está discutindo uma coisa que há muito tempo ninguém ou muita gente jamais teve a possibilidade de efetuar, que era o voto. Foi importantíssimo. Igual a isso eu não conheço nada parecido no futebol.
Você acha que o futebol pode cumprir um papel mais progressivo?
Claro. E esse é o grande medo do sistema. Você imagina a Gaviões da Fiel politizada. Né!? Você tem mobilização já pronta, você tem palco, duas vezes por semana, para exercer o seu direito, a ação política, só falta a politização.
Falta organização política para os jogadores?
Falta consciência! Falta... Por isso o sistema deseduca esses caras. Em vez de educar, faz de tudo para o cara não adquirir uma consciência social, política, porque esse é o mais importante. Ele é mais ouvido que o Presidente da República, esse cara pode mudar o país. Uma das brigas que eu tenho é “por que não educar esse povo, se é obrigação do Estado educar todo mundo?”. Pelo menos esse povo tem que ser educado. Agora mesmo, fui para a África do Sul, uma campanha pró-educação, inclusive com iniciativa da Fifa, com chancela da ONU, Educação Global, que é uma das metas do milênio, até 2015 pôr todas as crianças na escola. Então, no caso da Fifa, ponha primeiro os jogadores. (risos)
Você acha que o Estado deveria cumprir um papel mais importante na gestão do esporte?
É claro! Mas ninguém quer mexer muito nisso. Ninguém quer mexer, porque é um vespeiro. Mas deveria. Particularmente o futebol no Brasil é um negócio, como outro qualquer. Por que o Estado não tem controle sobre isso. Ele usa todos os símbolos nacionais, hino, bandeira, até a alma do brasileiro ele usa.
Você acha que o Estado deveria intervir para tentar segurar os jogadores no Brasil?
Já existe legislação para isso. O trabalho infantil ele é penalizado. Mas como você vai evitar que uma criança se transfira para outro país dentro das condições legais, quer dizer, arrumam emprego para os pais, os caras sempre fazem aquilo que precisa ser feito. Isso só vai ser educado quando tivermos consciência de que temos que valorizar a ‘commodite’ que temos em mão. Que é a qualidade do jogador brasileiro, o talento do jogador brasileiro. Em vez de vez vender o artista, tem que vender a obra dele. Quando a gente começar a vender a obra dele, a gente vai ter muito mais riqueza.

Um bom exemplo é o Ronaldo. O Ronaldo é um cara que vale ouro, que veio pra cá e está ganhando o mesmo que estava ganhando lá, ou mais.

Então é possível sim, mas é uma mudança de mentalidade. Na verdade o futebol brasileiro vende seu artista porque também é uma forma mais fácil de se manipular os recursos. Nem todo dinheiro que saí de lá chega aqui, no meio do caminho tem muita gente intermediária. 



JOSÉ SARAMAGO




LA MUERTE DE SARAMAGO
por Atilio Boron. (Prof. Ciências Políticas, Universidade de Buenos Aires)

José Saramago ha fallecido, pero sus ideas y sus enseñanzas vivirán para siempre. Entre las muchas expresiones de su pensamiento, tanto escrito como oral, elegimos esta breves palabras pronunciadas en una de sus últimas conferencias públicas en relación a la democracia; o a lo que más propiamente hemos denominado en nuestro Aristóteles en Macondo el "fetichismo democrático". Es un pasaje que no alcanza siquiera a los dos minutos y en él Saramago expone brillantemente las insalvables limitaciones de la democracia en la sociedad capitalista. La conclusión que se deriva de sus palabras, respaldadas por una abrumadora evidencia a la vez histórica y contemporánea, es que quien no esté dispuesto a hablar de socialismo no puede hablar de democracia. O, dicho de otro modo, quien se abstiene de cuestionar radicalmente al capitalismo debe callar a la hora de hablar de la democracia. Pero, escuchemos a Saramago:

José Saramago há falecido, mas suas idéias e seus ensinamentos viveram para sempre. Entre muitas expressões de seu pensamento, tanto escrito como oral, escolhemos estas breves palavras pronunciadas em suas últimas conferencias públicas em relação à democracia: ou ao que mais propriamente denominamos em nosso Aristóteles em Macondo o “fetichismo democrático”. É uma passagem que não alcança aos dois minutos e nele Saramago expõem brilhantemente as insalváveis limitações da democracia na sociedade capitalista. A conclusão que se deriva de suas palavras, respaldadas por uma abrumadora evidencia histórica e contemporânea, é que quem não estiver disposto em falar de socialismo não pode falar de democracia. Ou, dito de outro modo, quem se abster de questionar radicalmente o capitalismo deve calar na hora de falar de democracia. Pero, escutamos a Saramago:

http://www.youtube.com/watch?v=gDMF4XgGbV4


A COPA DA ÁFRICA DO SUL 2010










A modo de editorial


A copa da África do Sul: Uma grande festa do capitalismo


Pretendemos nesta semana problematizar a copa do mundo de futebol, em andamento na África do Sul. Nossa proposição é debater questões que entendemos relevantes e parecem deixadas de lado, diante de toda a euforia circense promovida pelo show midiático das grandes corporações transnacionais dos meios de comunicação de massas, os quais, certamente, são hegemonicos e respondem a interesses específicos e bem definidos de uma classe social.

A partir desta semana até o final da copa serão postados textos buscando um exercício reflexivo quanto às contradições, despercebidas do senso comum. Assim, seguem três indagações preliminares: por que uma copa do mundo na África do Sul? Quem realmente ganha com a copa? O povo pobre da África ou algumas corporações multinacionais?

Existem muitos interesses na copa do mundo, não há dúvidas. Interesses políticos e interesses econômicos que se relacionam. Sendo assim, temos que pensá-los em um contexto da economia capitalista global, a qual vive uma de suas piores crises estruturais. Um dado relevante é a importância econômica que tem o futebol, para o mercado capitalista. Atualmente gera uma receita de cerca de 1% do PIB mundial. Já na Europa representa uma receita de 2 % do PIB do continente, o que não é pouca coisa. Portanto, somente poderemos ter uma visão critica da copa do mundo e de seus resultados se a analisarmos desde uma ótica que leve em conta as contradições do mundo capitalista, suas relações e seus interesses. Novamente perguntamos: por que uma copa do mundo na África do Sul? Quem realmente está ganhando com a copa?
As contradições da copa da África estão estampadas nos próprios jornais da mídia hegemônica. Basta ver o Estadão, a Folha SP, a Zero Hora, o Clarin e deter-se em alguns dados construindo as relações devidas. A mídia em geral trata o tema da copa como um grande evento mundial, não poderia ser diferente, pois os interesses com propaganda e venda de produtos relacionados é um negócio altamente lucrativo e essencial para a economia capitalista. Presenciamos uma grande festa do capital a serviço das corporações e do poder financeiro internacional e como pano de fundo uma grande contradição: um continente decadente, pobre e um país que grita por uma igualdade reconhecida através migalhas.

Com isso, destacamos o consumo desvairado da sociedade capitalista, um consumo desenfreado e alienante, que na copa, a maioria da população africana fica excluída. Essa já é uma boa contradição a ser analisada.

É interessante também destacar como a mídia está tratando o continente Africano. A romantização do continente é percebida em inúmeras esferas, embora a mais chamativa, é a maneira que tratam à cultura africana. Mais uma contradição.

Já na parte social nos perguntamos: o que mudou na África do Sul depois do apartheid? E se relacionamos com o presente: será que a copa mudou ou mudaram as coisas?

A revolução democrática que derrubou o regime segregacionista do apartheid foi uma vitória do povo sul africano. Entretanto, esse processo não superou os limites do regime “democrático burguês” e foi freada e desviada para a institucionalidade da democracia burguesa. Depois de mais de uma década, já podemos ver os resultados. Será que diminuiu as desigualdades? Que acontece com o emprego? E o racismo, continua?

Cabe ainda destacar, que toda a estrutura da copa da Àfrica foi construída por trabalhadores africanos. E os que verdadeiramente construíram os estádios, refizeram ruas, e toda a estrutura da copa (os africanos), não a podem nem ao menos assistir pela TV, visto que, em grandes bairros periféricos da África do Sul a luz é racionalizada. Além disso, não podem pagar os altos preços dos ingressos que foram vendidos já nos pacotes fechados aos turistas estrangeiros ou a elite local. Isso é a democracia apoiada pela FIFA e os organismos internacionais. Porque os estádios ficam 24 horas acesos, enquanto existe uma tremenda racionalização da energia no país da copa? Mais uma contradição.

Portanto, será que a copa está ou irá contribuir na melhoria das condições de vida do povo africano? Ativar a economia deste país? Diminuir a pobreza, e algumas desigualdades mais gritantes no país?

No que diz respeito à reurbanização, vale um comentário. O governo sul africano deslocou milhares de pessoas de suas casas e as colocou em lugares diferentes. O absurdo é onde essas pessoas foram colocadas, com objetivos de diminuir o "impacto estético" causado pela miséria, foram criados a partir de baixos investimentos bairros de casas de lata. Isso mesmo. Parece brincadeira, mas não é. O governo teve uma política de alojar milhares de famílias em bairros pré-fabricados para ocultar a pobreza e a miséria que existe na África do Sul. E o pior é que essas casas são inabitáveis. São de latas, frias no inverno e extremadamente quentes no verão. Uma barbárie. Mais contradição.

Por fim, lembramos que daqui a quatro anos a copa do mundo de futebol será no Brasil. Acontecerão coisas parecidas por aqui? Ou qualquer semelhança é pura esquizofrenia de alguns que ainda resistem perante tantas desigualdades e contradições de nossa realidade? Será uma boa para o Brasil sediar olimpíadas e copa do mundo havendo tantos problemas e contradições no nosso país? Perguntas que nos leva ao debate e a reflexão.

VÍDEO DE GREVE DOS TRABALHADORES DA COPA DA ÁFRICA 


A realidade brasileira mais além do futebol

por cristiano última modificação 23/06/2010 10:39 Editorial ed. 382 Jornal Brasil de fato
Enquanto o futebol toma conta da televisão, da imprensa e da mente da maioria dos brasileiros, não custa lembrar alguns fatos que passaram relativamente desapercebidos


23/06/2010
Jornal Brasil de fato

Editorial ed. 382

A seleção brasileira ganhou as duas primeiras partidas que disputou até agora na Copa do Mundo. Deve se classificar em primeiro lugar do seu grupo. Mas seu desempenho (até o fechamento dessa edição) preocupa aos que gostam do futebol. A era Dunga, que ressuscitou o estilo Zagalo/Parreira da Copa de 1994, não empolga, e muitos outros interesses condicionam uma seleção de jogadores “europeus”, mais preocupados com dinheiro e carreira pessoal. Saudades do Garrincha e do João Saldanha.

Mas, enquanto o futebol toma conta da televisão, da imprensa e da mente da maioria dos brasileiros, não custa lembrar aos nossos leitores e militantes alguns fatos que passaram relativamente desapercebidos nos últimos dias.

1.As chuvas continuam matando pobres brasileiros.

As chuvaradas que caíram nos estados de Alagoas e de Pernambuco causaram uma verdadeira tragédia. Mais de cem mortos. Todos eram pobres e moravam em condições desumanas em áreas de risco.

O fato não repercutiu na grande imprensa burguesa. E, infelizmente, morrer de chuva já virou fato corriqueiro sem que ninguém se responsabilize por isso. Ficam as famílias, em geral, sem casa, sem indenização e totalmente desamparadas.


2. Anvisa apreende mais 500 mil litros venenos agrícolas adulterados.

No Brasil, existem apenas dez empresas transnacionais que controlam 90% do mercado de venenos agrícolas. Muitos venenos vendidos por aqui já estão há muito tempo proibidos em seus países de origem. Por isso, aceleram as vendas aos irresponsáveis fazendeiros brasileiros que, mesmo assim, compram, ávidos apenas por lucros. E não bastasse isso, tem sido frequente a ação dos nossos heróis brancaleones, os 40 (é verdade!) fiscais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Ministério da Saúde, distribuídos por todo território nacional.

No dia 7, eles apreenderam, numa das empresas transnacionais, 500 mil litros de venenos adulterados. Isso mesmo: adulterados. Ou seja, a fábrica falsifica a fórmula diferente daquela que está no rótulo para aumentar seu poder mortífero.
Se fossemos um país sério, essas fábricas já estariam fechadas há muito tempo. Mas, por ora, o exército de brancaleone segue seu papel de apreender aqui e acolá apenas algumas amostras, do cerca de 1 bilhão de litros que são vendidos todos os anos e vão parar no nosso solo, na nossa água, e nosso estômago.

3. Comissão da Câmara aprova imposto sobre fortunas.

Acredite se quiser! A revista Veja ainda não descobriu para tentar desmoralizar, mas a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o projeto de lei da deputada Luciana Genro (PSOL-RS), que institui o imposto progressivo sobre as fortunas. Se você ainda não sabe, está lá no projeto que, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do Ministério do Planejamento, a concentração de renda é tão grande no Brasil, que "as 5 mil famílias mais ricas do país têm patrimônio médio de R$ 138 milhões, o que representa 42% do PIB. Só desse grupo de milionários se poderia cobrar apenas 5% de imposto por ano, e renderia ao país o valor de R$ 30 bilhões, o que poderia duplicar o orçamento da educação", por exemplo.


4. Presidente da CTNBio quer aprovar o arroz transgênico da Bayer.

O presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança anunciou que no dia 24 de junho irá a votação e – espera ele, servil – a aprovação do arroz transgênico da Bayer.

Essa variedade não apresenta nenhuma pesquisa de segurança para os consumidores. Nem representa aumento da produtividade do arroz, que no caso brasileiro, já é das mais altas do mundo. Ele apenas combina a produção com uso de um veneno da Bayer. A insegurança e a falta de pesquisa, agravadas pelo fato de que toda a população se alimenta com arroz, exigiria precaução redobrada. Até agora nenhum, repetindo, nenhum governo do mundo ousou aprová-lo. Até nos Estados Unidos sua liberação foi negada. Na Alemanha, pátria da Bayer, também. Mas, aqui, um bando de irresponsáveis que se escudam no título de cientista, com a desaprovação dos próprios relatores do caso, quer aprovar.

Está na hora do governo Lula assumir suas responsabilidades e interferir no caso.

E sempre é bom lembrar: se as empresas acham que não tem problema nenhum para a saúde, por que se recusam a colocar no rótulo o aviso de que contem transgênicos?

Nota: No dia 18, morreu José Saramago. Prêmio Nobel de Literatura, que viveu sempre em coerência com suas ideias e compromisso com a causa socialista. Por isso nosso jornal também está de luto. 







Copa da África desmente promessas de desenvolvimento e escancara apartheid intacto

ESCRITO POR GABRIEL BRITO , DA REDAÇÃO   
18-JUN-2010  correio da cidadania

Começou na última sexta-feira a 19º. Copa do Mundo, a primeira realizada na África, no país tido como o mais desenvolvido do continente, a África do Sul. Oportunidade única para levar o melhor do esporte mais popular de todos a localidades carentes de grandes torneios em seus cenários nacionais, como é o caso da sede de 2010.

Porém, em um país que ainda se encontra longe de dirimir as diferenças do passado, a Copa acabou se transformando em uma excelente oportunidade de mostrar ao mundo como seguem latentes as tensões entre ricos e pobres, que ainda devem ser lidas como entre brancos e negros.

Para os brasileiros, é uma ocasião ainda mais importante para que possamos observar o que está por vir com a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. A forma como os preparativos foram feitos por lá em muito se assemelha com as tendências que vemos se desenhar cá.

Qualquer semelhança não será mera coincidência...

"Os despejos se multiplicaram nos últimos anos, em parte pelo aumento do preço da terra e em parte porque a prefeitura da Cidade do Cabo não nos quer tão perto do centro, onde os turistas podem nos ver", conta Gayika Tshawe, dirigente comunitário do Joe Slovo, terreno que une alguns dos milhares de excluídos da festa da nação arco-íris, em matéria de Joan Canela i Barrull, no catalão El Periodico.

Com a organização do Mundial tendo custado cerca de 8 bilhões de reais, integralmente bancados pelo governo, já ficava claro antes do apito inicial que as promessas de melhorias de vida para a população eram cortina de fumaça. Sem esse argumento, é impossível convencer um povo repleto de carências a apoiar tal empreitada.

No período de obras, atrasadas por diversos motivos estruturais, incontáveis greves dos operários que labutavam pela Copa (e por suas famílias, claro) foram registradas, a mais famosa dela a dos que construíam o palco principal. Mesmo trabalhando para um evento bilionário, a reclamação era sobretudo a respeito dos baixos salários. E muitas outras paralisações ficaram só na ameaça por terem sido contornadas pelo Comitê Organizador e governo.

A Copa chegou e nada mudou. Dezenas de milhares de pessoas foram desalojadas para áreas muito mais distantes dos centros. Em Johanesburgo, para a construção do Soccer City, o maior estádio do Mundial, toda uma comunidade foi expulsa de seu terreno e realocada para cerca de 35 quilômetros dali, para uma precaríssima favela com barracos de zinco. Isso porque a capital do país já possuía dois outros estádios de grande porte.

"A Copa do Mundo fez a vida dos pobres ainda mais difícil. Muitas pessoas foram desalojadas para a construção de novos estádios. As pessoas não foram tiradas dos barracos para serem levadas a uma casa. Levaram-nas para outros barracos, sem luz, água, nada", revela Therbani Ngonfoma, do Abahlali baseMjondolo (AbM), movimento que reúne cidadãos prejudicados pela Copa fundado em Durban, em 2005.

A FIFA que poucos conhecem

E se os africanos esperavam ao menos desfrutar a parte lúdica do evento, também se decepcionaram fortemente. A poucos meses da abertura, a FIFA anunciou que havia um encalhe de cerca de 800 mil ingressos, reclamando abertamente da falta de adesão do povo local ao Mundial. No entanto, ao analisarmos os fatos, veremos que foi a própria senhora do futebol quem propiciou este revés.

Primeiramente, ignorou-se a realidade econômica do país sede, com os ingressos sendo postos à venda somente por internet, com cartão de crédito e a preços similares aos da Alemanha-2006, fatores de exclusão imediata de uma infinidade de fãs. De quebra, para os estrangeiros, já atemorizados com as inúmeras notícias da violência das cidades sul-africanas, a intermediação das vendas era obrigatoriamente feita pela Match, agência oficial da FIFA, que tem como sócio Philip Blatter, sobrinho do ilustríssimo Joseph, presidente da entidade e sucessor de João Havelange, unanimemente considerado o homem que injetou o futebol-negócio em nossas veias.

E a incompetência (e avareza) da empresa apadrinhada por tio Blatter contribuiu de forma magnífica para que as previsões de 500 mil turistas no país caíssem pela metade. Por conta das imposições que a FIFA faz a toda sede, 80% dos quartos dos hotéis mais estrelados ficam reservados, e não tem conversa, para a Match. Sabendo-se dona do pedaço, a agência cobrou ágios de até 30% na hospedagem dentro dos pacotes de viagem. Assim, muitos torcedores resolveram assistir aos jogos de casa. E a rede hoteleira sul-africana ficou na mão.

Mas como toda boa famiglia, os laços sangüíneos tornam as relações inabaláveis. Philipinho Blatter também é dono da empresa que detém a prerrogativa de negociar os direitos de transmissão da Copa em nome da FIFA. Fora que sua consultoria para ajudar na organização de perfumarias da entidade lhe rendeu US$ 7 milhões em honorários.

Cabe perguntar por que as emissoras de TV interessadas em transmitir a Copa não podem ir à sede da federação em Zurique e sentar pra negociar diretamente com sua diretoria e departamentos comercial e jurídico. Cabe também questionar por que a intermediadora tem sede no mesmo local (Zug, na Suíça) da ISL, a antiga representante comercial da FIFA, cuja falência a justiça suíça comprovou ser uma fraude após seis sócios confessarem desvios de 96 milhões de dólares. Tais indagações podem ser feitas por qualquer um que leia ‘As contas erradas da FIFA’, no Le Monde brasileiro deste mês de junho.

Estádios revelam as contradições

Com o fiasco à vista, a entidade máxima do futebol anunciou que uma vasta quantidade de entradas seria vendida com preços especiais, isto é, acessíveis, exclusivamente para os cidadãos sul-africanos. Porém, a baderna imperou nas bilheterias e muita gente ficou sem conseguir seu bilhete. Além do mais, para a imensa comunidade nigeriana no país, a idéia não serviu para que pudessem prestigiar sua seleção na estréia contra os argentinos, que, mesmo vindo do outro lado do terceiro mundo, tinham mais apoiadores no estádio.

Quando enfim chegou o esperado 11 de junho, as contradições do país voltaram à tona. Enquanto a seleção da casa entrava em campo com seus atletas entoando a Shosholoza, histórico canto dos mineiros negros da época da segregação, uma platéia predominantemente branca tomava conta dos 88 mil assentos do novíssimo Soccer City. Era inacreditável, pois além de serem ampla maioria da população, o mundo inteiro sabe que, no país de Mandela, os brancos gostam de rugby e críquete, heranças coloniais, ao passo que os negros dedicam seu amor esportivo ao futebol de forma unânime.

Na seqüência das partidas, nós, telespectadores, continuamos a nos surpreender. A grande maioria dos jogos tinha um vazio que variava de 20% a 30% da capacidade das modernas e festejadas arenas. E que fique claro que, mesmo com as injustiças gritantes do país, os fãs locais do esporte bretão apreciam a Copa por lá. Na antevéspera da estréia dos Bafana Bafana, cerca de 200 mil pessoas entupiram o nobilíssimo bairro de Sandton, reduto da alva elite sul-africana, com apartamentos avaliados em 5 milhões de dólares. Com a estátua de Mandela ao centro da multidão, foi uma das poucas vezes que o distrito se tingiu com as cores da casa.

Uma Copa do Apartheid

Muitos sul-africanos não escondem a decepção com a vida pós-apartheid, especialmente a desilusão com o Congresso Nacional Africano, partido que representava os negros nas negociações pelo fim do regime racista e que repetiu um processo de encantamento e encastelamento no poder que conhecemos perfeitamente por aqui. "O CNA não cumpriu suas promessas, fazendo agora um apartheid entre ricos e pobres", sentencia Therbani, em entrevista a Gloria Ramírez, da revista eletrônica Desinformémonos.

A cruel e definitiva prova de que a Copa do Mundo não foi feita para o povo africano está sendo dada no andamento da competição. Em Durban, dia 13, centenas de pessoas que se alistaram como prestadoras de serviço na Copa ficaram sem receber o valor combinado pelas mais de 12 horas trabalhadas no jogo Alemanha e Austrália. Foram reprimidas violentamente pela polícia e, mais de uma dezena, presas. "Temos família e trabalhamos o dia todo. Você acha isso justo?!", indignou-se uma revoltada trabalhadora da Copa diante de meio mundo de câmeras.

No Internacional Broadcasting Center (IBC), QG da mídia no torneio e localizado na capital, todos os prestadores de serviço abandonaram seus postos neste dia 16 por verem a cor de somente metade dos 50 dólares diários combinados. Por ora, sabe-se lá até quando, é a própria polícia quem cuida da circulação de pessoas e demais tarefas que cabiam àqueles que ajudavam a organizar a Copa.

De volta para o futuro

Diante de todas as mazelas provocadas e/ou mantidas com o mundial sul-africano, podemos preparar melhor nossos anticorpos para os grandes eventos que se realizarão no Brasil. Desapropriações forçadas já estão sendo tentadas em áreas pobres e potencialmente rentáveis e a truculência do conluio governos/iniciativa privada já se faz sentir em diversas frentes.

Além das incontáveis licitações que serão esquecidas ‘em nome da urgência’, projetos como o de revitalização da zona portuária do Rio de Janeiro estão ameaçados pelo senso de oportunidade de Eike Baptista, aquele que triplicou sua fortuna sem triplicar a produção de seus empreendimentos em mágicos 12 meses. Fora que já está sendo articulado o assalto aos aeroportos (rentáveis) pelos privatistas.

"Parte da crise da Grécia é explicada pelos gastos extraordinários provocados pelas Olimpíadas de Atenas, em 2004. Em sociedades com frágil institucionalidade, megaprojetos são fértil campo de práticas de corrupção e da incompetência. Há alta probabilidade de que o Brasil cometa os mesmos erros dos gregos (endividamento interno e, principalmente, externo) que quebrarão as finanças públicas e o sistema financeiro brasileiro no pós 2014-16", disse o economista Reinaldo Gonçalves em entrevista ao Portal IHU Online, em maio.   

Aliás, quem acompanha a renhida briga de bastidores sobre o estádio paulista da Copa de 2014 pode compreender a motivação da exclusão do Morumbi em favor de uma nova arena na cidade, no bairro de Pirituba, e fazer o paralelo com a Copa 2010. Por R$ 460 milhões, o governo sul-africano queria levantar o Athlone Stadium, na parte mais pobre da Cidade do Cabo. Poderosa, a FIFA conseguiu impor o Green Point, na já abastada, estruturada e turística orla local. Como informou a Folha de S. Paulo, o capricho adicionou R$ 540 milhões na conta do governo Jacob Zuma. Já o Soccer City cairá no colo da iniciativa privada pelos próximos 10 anos, depois de o governo local ter gasto 800 milhões de reais para erguê-lo - outra fortíssima tradição brasileira.

De acordo com o professor de Economia da Universidade de Kwa Zulu Natal, Patrick Bond, os projetos dos eventos esportivos que mais mobilizam a humanidade aproveitam-se do relaxamento e desinformação de seus majoritariamente humildes apreciadores para reproduzir um modelo de vida que provou não ser frutífero, quanto menos provido de alguma justiça. "O problema é que se hipotecou grande parte do orçamento público em infra-estruturas que reforçam o modelo de desenvolvimento neoliberal, em vez de se concentrarem em uma aposta social e sustentável", declarou a Joan Barrul.

Os engravatados que se encarregam de organizar a festa mais assistida do mundo sabem perfeitamente disso. E, apesar de nunca terem chutado uma bola, já são os maiores ganhadores do Mundial. Só falta bordarem uma estrela no peito.

Gabriel Brito é jornalista.


Dunga e a arrogância histórica da Globo

A Seleção Brasileira de Futebol constitui um patrimônio cultural do país que não pode ser apropriado por interesses privados. No entanto, o futebol brasileiro – não só a Seleção – tem sido explorado comercialmente pela Globo como se sua propriedade fosse.
Para Marco Antonio Rodrigues Dias e Geraldo da Rocha Moraes



Embora tenha apoiado o golpe de 64, o regime militar e se consolidado como a mais poderosa rede de televisão do país durante a ditadura, houve períodos em que a percepção de boa parte da elite fardada era de que a Rede Globo de Televisão representava uma ameaça real de controle da opinião pública brasileira e precisava ser enfrentada. 


No governo do General Geisel (1974-1979), sendo ministro das Comunicações o Coronel Euclides Quandt de Oliveira, foi certamente quando surgiram as maiores contradições e divergências entre o regime autoritário e a Globo. Documentos da época e sua análise estão disponíveis, por exemplo, no livro “Dossiê Geisel”, organizado por Celso Castro e Maria Celina D’Araújo e publicado pela FGV em 2002.


Encontro na UnB

Faço esta rápida introdução para relatar um encontro emblemático acontecido há 35 anos, entre professores do então Departamento de Comunicação da Universidade de Brasília e altos dirigentes globais, entre eles, Walter Clark (diretor geral), Luiz Eduardo Borgerth (diretor), Otto Lara Resende (assessor da presidência), infelizmente, já falecidos.


O contexto do encontro trazia, no mínimo, preocupações para as Organizações Globo:


(1) A Globo havia perdido a disputa por um canal de TV aberta em João Pessoa, PB, por interferência direta do ministro Quandt que considerava um risco “aumentar o monopólio da emissora”. 


(2) O ministro vinha fazendo uma série de críticas públicas à televisão brasileira, todas de grande repercussão. Uma delas, a aula inaugural no curso de comunicação do CEUB, Centro de Ensino Unificado de Brasília, sobre “A televisão no Brasil” (17/2/1975). Na sua fala ele destacava os “perigos do monopólio” tanto de canais, quanto de audiência, quanto na programação “alienígena”. 


(3) Estava em andamento a criação da Radiobras [Lei n. 6301 de 15/12/1975] que era vista com desconfiança pela Globo pelo temor de que se transformasse em destinação preferencial de verbas publicitárias do governo.


(4) Estava em discussão, dentro do governo, um pré-projeto de regulação da radiodifusão que deveria substituir o superado Código Brasileiro de Telecomunicações [Lei 4. 117/1962].


(5) O Departamento de Comunicação da UnB era uma unidade acadêmica que produzia pesquisa crítica sobre a radiodifusão brasileira e acabara de elaborar um pioneiro projeto de unificação das televisões públicas que recebeu o nome de SINTIS, Sistema Nacional de Televisão de Interesse Social. Além disso, circulava que alguns de seus professores tinham acesso ao ministro das Comunicações e o abasteciam com dados nos quais ele fundamentava sua posição, direta e/ou indiretamente, contrária à hegemonia da Globo. 


O objetivo do encontro, realizado por iniciativa da Globo, na UnB, era “trocar idéias” sobre as comunicações no Brasil. O que acabou acontecendo, todavia, foi quase um bate-boca. 


Apesar da conjuntura politicamente adversa – para a Globo – em que se realizava o encontro, a memória de professores presentes é unânime em afirmar a arrogância de seus dirigentes. Não houve diálogo possível e cada um saiu do encontro ainda mais convicto em relação às respectivas posições. Divergimos em relação à existência de um virtual monopólio na TV brasileira; às finalidades educativas da televisão (previstas em lei); à prioridade ao conteúdo nacional e à necessidade de criação de uma rede pública de radiodifusão.


No presente como no passado

Relembro este encontro e a memória que dele ficou para reforçar os inúmeros comentários já escritos e publicados nesta Carta Maior sobre o enfretamento que a Globo faz a Dunga, aparentemente, por ele não ser conivente com os privilégios da emissora em relação aos demais veículos de mídia que estão cobrindo a Copa do Mundo na África do Sul.


Ao longo de sua existência, uma característica da Rede Globo tem sido ignorar que a televisão é apenas a concessão de um serviço público que tem como soberano o cidadão e seu interesse. Ao contrário, a Globo tem historicamente se comportado como proprietária das concessões de radiodifusão. 


A própria Seleção Brasileira de Futebol constitui um patrimônio cultural do país que não pode ser apropriado por interesses privados. No entanto, o futebol brasileiro – não só a Seleção – tem sido explorado comercialmente pela Globo como se sua propriedade fosse. 


A Globo, por óbvio, não tem mais em 2010 o poder que teve na década de 70 do século passado, enfrentado, por razões próprias, pelo regime militar. Mas conserva a arrogância.


Por outro lado, uma diferença do passado para o presente é que o inconformismo em relação à Globo não está mais restrito a alguns professores isolados em departamentos universitários. Repetindo a resistência que se expressou em outras situações históricas no lema popular “o povo não é bobo, abaixo a rede Globo”, a internet fornece hoje o suporte tecnológico necessário para que milhões de pessoas se mobilizem em torno de iniciativas como “cala a boca Galvão” e “cala a boca Tadeu”. Além disso, dezenas de blogs e sites alternativos tornaram pública a opinião daqueles que fazem contraponto à TV hegemônica.


Outro mundo possível

Resta manter a esperança de que – um dia – a transmissão de jogos dos campeonatos locais, regionais e nacional de futebol e a cobertura dos jogos da Seleção Brasileira, não serão exclusividade de concessionárias comerciais, mas estejam disponíveis nas redes públicas de televisão. 


Em se tratando de um patrimônio cultural brasileiro, as redes comerciais privadas não deveriam remunerar as redes públicas para distribuir e comercializar este tipo de conteúdo?


O episódio Globo versus Dunga – que certamente ainda não terminou – deixa claro que já existe no país, não só uma ampla consciência da arrogância e dos privilégios históricos da Globo, como também novas e eficientes formas de expressar inconformismo diante dessa situação. E mais importante: novas e eficientes formas de apoiar aqueles que, como Dunga – correndo o risco de perder o emprego – não se curvam ao poder de concessionários de um serviço público que continuam a se comportar como se dele fossem proprietários.


Venício A. de Lima é professor titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Liberdade de Expressão vs. Liberdade de Imprensa – Direito à Comunicação e Democracia, Publisher, 2010.



Maradona, un diez antimperialista



Cuando en las escuelas de periodismo los jóvenes aprenden a fijar el concepto de noticia, el profesor recurre a un ejemplo clásico: noticia es que una persona muerda a un perro. Pero a finales de marzo pasado, en Buenos Aires, el perro de Diego Armando Maradona lo mordió en el labio superior, y la noticia repercutió en los cuatro puntos de la Tierra.El astro fue internado de urgencia (sutura y cirugía facial) y los entendidos repararon en la esperpéntica Bella, costoso ejemplar de la especie china shar pei. De carácter sereno, equilibrado, afable, los shar pei son de impredecible reacción si se los mira a los ojos, cara a cara.
Diga o no diga, haga o deje de hacer, Maradona siempre es noticia. Y gobernantes como Fidel Castro, Hugo Chávez, Evo Morales, Lula, Néstor Kirchner o Mahmud Ahmadinejad saben que los mensajes políticos del astro mueven la conciencia de los pobres y explotados en los cinco continentes.
Con displicencia, izquierdas y derechas elitistas coinciden: vedette, alienado, loco, demagogo, oportunista, disoluto, fenómeno mediático, cocainómano, populista, mito… ¿Mito? Creo que el mito es la sublimación de referentes intelectualmente inflados, y las teorías abstractas imaginadas para esquivar la adhesión práctica a lo concreto y verdadero.
De la pobreza al futbol y la fama, de los abismos de la cocaína al tratamiento de su adicción en Cuba, el mejor jugador del siglo XX, según la FIFA (53,6 por ciento de los encuestados), demostró ser un hombre generoso y agradecido. En 2000, donó las regalías de su biografía Yo soy el Diego al pueblo de Cuba y a Fidel, y desde entonces lleva al Che tatuado en el hombro derecho, y al Comandante en la pantorrilla izquierda.
La progresía detesta a Maradona. ¿Será porque sus discursos poco y nada inquietan a los poderosos? En cambio, la runfla derechista y las cotorras del poder mundial oyen con preocupación sus declaraciones en favor de la sindicalización de los jugadores (los obreros del fútbol, dice), y el eventual impacto que esta causa tendría en los negocios de una industria que mueve miles de millones de divisas por segundo.
En lucha clara, feroz, frontal, Maradona ha recurrido a su fama de intocable para librar, arriba y a la derecha, ideales que políticamente responden a los de abajo y a la izquierda. Y héte aquí el trasfondo real de sus diferencias con Pelé, el Tío Tom del capitalismo futbolero global.
En noviembre de 2005, con motivo de la histórica cumbre de presidentes de Mar del Plata (que enterró el proyecto de libre comercio de las Américas, ALCA), los pueblos siguieron con atención el pensamiento de Maradona.
Antes de subir al llamado tren del Alba (siglas de la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América), que partió de Buenos Aires a Mar del Plata junto con el entonces candidato presidencial Evo Morales, el músico Manu Chao, y el director de cine serbio Emir Kusturica, Diego declaró a los medios:
“Pido a los argentinos que entiendan que vamos por la dignidad, para defender lo nuestro… Es un orgullo ir en este tren para repudiar a esa basura que es Bush… Si lo tuviera [a Bush] bajo un arco, le arrancaría la cabeza de un pelotazo”. Declaración de fe que la barra brava de Boca Juniors acompañó con goyas, murgas y bombos.
En diciembre 2007, tras un partido con Brasil, Maradona recibió en el vestuario al encargado de negocios de Irán, y le manifestó su admiración por el presidente Ahmadinejad: “Ya conocí a Chávez y a Fidel. Ahora quiero conocer a su presidente… Estoy con los iraníes de todo corazón, de verdad lo digo: estoy con el pueblo de Irán”.
Kusturica presentó el documental Maradona en el festival de Cannes (2008), y no reparó en elogios acerca de quien sus seguidores califican deDios. Observó: Crea momentos mágicos. Si tuviéramos que comparar la popularidad que proyecta el fútbol hoy con los tiempos del imperio romano, está calificado para ser un dios. A lo que El Diez se apuró a contestar que no se siente como dios, pero si la gente quiere considerarme dios, no voy a llevarles la contraria.
Maradona cuenta con altares erigidos en Nápoles, y después del gol de la mano de Dios frente a Inglaterra (México, 1986), el equipo escocés Tartan Army lo incluyó en su himno. Y en Rosario (cuna del Che y Messi) los hinchas fundaron en 2003 la iglesia maradoniana, que decidió fechar nuestra era a partir de 1960, año del nacimiento del Diez.
Las convicciones políticas y la fe de Maradona son de cuidado. En una ocasión, después de oír al Papa y de ver los techos de oro en la Basílica de San Pedro, su voz retumbó en los pasillos del Vaticano: “La Iglesia –dijo a los medios– asegura que está preocupada por los pibes pobres ¿Y? ¡Vendé los techos, viejo! ¡Hacé algo!”
Entendido en las cosas del destino, el director técnico de la selección argentina afrontó el mordiscón de Bella con serenidad. Y al ver que lo habían alojado en la habitación 606 del sanatorio Los Arcos, lo tomó como señal de buenaventura. ¿O alguien desconoce que para los apostadores chinos, el 06 es perro en el significado de los sueños?
Fuente: http://www.jornada.unam.mx/2010/06/23/index.php?section=opinion&article=019a1pol
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01-07-2010

Sudáfrica: Cuánto factura el Campeonato Mundial de los Negocios

IAR Noticias


U n análisis macroeconómico de la consultora Deloitte & Touche revela que sólo 25 países producen anualmente un PBI mayor que la industria del fútbol en su conjunto.
El fútbol, que mueve anualmente un negocio de US$ 500.000 millones, está en Sudáfrica, de cuyos 39,7 millones de habitantes, la mitad sobrevive por debajo de la línea de pobreza. Los más pobres sólo reciben un 6% del ingreso nacional total, y los más ricos, un 10%, se reparten más de la mitad de los ingresos. nacionales.

De acuerdo con el Índice de Desarrollo Humano (IDH), elaborado por la Organización de las Naciones Unidas (ONU), Sudáfrica es un país marcado por las desigualdades, donde un cuarto de la población oficialmente no tiene trabajo y vive con un euro al día y donde más de la mitad del país está atrapado entre los límites de la pobreza.
El fútbol, a escala mundial, es un macronegocio capitalista que maneja, miles de millones de dólares, que incluye a empresas patrocinantes, cadenas mediáticas y jugadores, que lo convierten en un multi-rubro de facturación con incidencia en toda la economía global.
El 11 junio, cuando comience el Mundial en Sudáfrica, la cabeza del alienado nivel promedio estadístico (las mayorías "seducidas" por el "espectáculo" del fútbol) adquirirá forma de pelota de fútbol.
Facturaciones millonarias, sueldos millonarios, para un negocio multimillonario. Ni deporte, ni espectáculo, 22 robots corriendo un balón y una maquinaria mediática para seguir convirtiendo al fútbol en un "show" funcional a la alienación del cerebro humano. El objetivo no es divertir a las masas, sino generar rentabilidad capitalista con la alienación futbolera.
La consultora estadounidense Grant Thornton elaboró en diciembre pasado un informe en el que se estimaba que el impacto económico del mundial sería de unos US$7.325 millones. Además, entre otras cifras, se prevé la visita de 480.000 turistas que dejarían cerca de US$1.117 millones durante el mes que durará la competencia.
Este año la gigantesca maquinaria comercial con el fútbol se montó en Sudáfrica, con 49 millones de habitantes, de los cuales la mitad está por debajo de la línea de pobreza. La FIFA anunció el sábado que ya se vendieron dos millones de entradas de las 3.100.000 que se comercializarán. A pocos días del mundial de fútbol, empiezan a circular cifras sobre las millonarias cotizaciones de los equipos "favoritos" y las cifras de los jugosos contratos con las marcas patrocinadoras.
La selección de España, ganadora de la Eurocopa 2008, es el equipo más cotizado de cara al Mundial Sudáfrica 2010. La sumatoria de la cotización de sus once titulares, entre los que se destacan estrellas como Fernando Torres, Cesc Fabregas y Andrés Iniesta suman un total de 303 millones de euros. Atrás de España está la selección de Argentina con Messi. La selección de Maradona cotiza un total de 293 millones de euros, encabezados por el valor de mercado del astro mundial Lionel Messi cuyo pase esta valorado en 140 millones de euros. Luego se encuentra el equipo inglés donde se destacan Frank Lampard del Chelsea, Steven Gerrard del Liverpool y Wayne Rooney del Manchester United, con un valor aproximado de 263 millones de euros. Completando la primera línea se encuentra Brasil, el gigante del fútbol mundial. Kaka, Maicon, Lucio y demás estrellas suman un valor total de 223 millones de euros. Más atrás se encuentra la selección portuguesa con Cristiano Ronaldo, y un valor aproximado de 201 millones de euros. Luego sigue la selección ex-campeona del mundo Francia, con 180 millones de euros, con jugadores "estrellas" como Sidney Govou y Bacari Sagna Continúan Alemania con 156 millones, Holanda con 156, y el equipo defensor del titulo, Italia, curiosamente solo ocupa el puesto número 10 con un valor aproximado de 127 millones de euros.
Curiosamente, la cotización de la selección anfitriona, Sudáfrica, suma 35 millones de euros, menos de la mitad del pase de Cristiano Ronaldo (93 millones), cuando fue transferido del Manchester United al Real Madrid.
Los países que comparten el ultimo lugar son Nueva Zelanda y Corea Del Norte valorizadas en 15 millones de euros.
En el área de los grandes beneficiarios económicos de la danza multimillonaria del Mundial, se anotan las firmas patrocinadoras, empresas trasnacionales como AdidasNike y Puma, que utilizan al evento como vitrina y como herramienta de facturación y de posicionamiento en el mercado.
Adidas "auspicia" a 12 selecciones, sobre todo europeas. Equipos como España, Alemania, Francia, Dinamarca son parte de las selecciones auspiciadas. Entre los auspiciados latinoamericanos se destacan Argentina, Paraguay y México. Patrocinar a los argentinos tiene para la transnacional un valor aproximado de 4.3 millones de euros al año, mientras que la Federación Mexicana de Fútbol firmó un contrato de 2007 a 2014 por un valor de 51 millones de euros.
Nike, el histórico rival de Adidas, auspicia a Brasil, uno de los favoritos para alzarse con el trofeo mundial. También se destaca el patrocinio a Portugal y Holanda, cuyos contratos oscilan entre lo 50 y 80 millones de euros.
Puma, transnacional alemana que patrocinó a Italia en el mundial pasado, opera en el continente africano donde patrocina a Ghana, Costa de Marfil y Camerún. Los contratos de Puma no superan los 2 millones de euros pero su marca esta en franco ascenso de cara a la disputa del Mundial de Sudáfrica.
De acuerdo a la consultora estadounidense Grant Thornton, una de las más prestigiosas en Sudáfrica, de los 480.000 turistas, unos 100.000 desembarcarán en el país sin entradas. Este dato alerta sobre un mercado negro siempre activo: la reventa de tickets.
La audiencia estimada del Mundial de Fútbol será de 30 mil millones de personas repartidas en los medios informativos como televisión, periódicos e Internet, de los cuales el 70 por ciento consumirá algo durante los juegos, según los organizadores.
"Si el Mundial mueve al mundo entero los empresarios corren al mismo ritmo de un jugador en busca del gol. Es que no sólo 22 futbolistas son los que andan detrás de un balón. Mientras miles de fanáticos vibran con Sudáfrica 2010, los agentes de mercadeo se emocionan con hacer su negocio mundial por estos días", señala el diario El País de España.
Una de las primeras en cosechar dividendos fue Adidas, firma oficial de los implementos deportivos de la Copa del Mundo y patrocinador de 12 de los 32 equipos en competición en Sudáfrica 2010.
Firmas de servicios como la de televisión por suscripción DirecTv ofrece un paquete promocional por suscribirse antes del Mundial de Fútbol, del quetransmitirá los 64 partidos en vivo y en alta definición. Y da tres meses gratis de programación.
Y las agencias de viaje no se quedan atrás. Algunas ofrecen el destino Sudáfrica con recorrido por Johannesburgo, Ciudad del Cabo, Durban, Sun City, las Cataratas Victoria, entre otras ciudades, desde US$2.344.
La firma belga Ice Watch elaboró la colección Ice World Team, una línea de relojes de diseño con los colores de las banderas de los 32 países participantes. “Los colombianos somos privilegiados porque ya que no fuimos al Mundial, vamos a tener una colección diseñada exclusivamente para Colombia”, dijo John Gaviria, distribuidor de la marca.
Estas son sólo puntas del multimillonario y polifuncional negocio con el Mundial de Fútbol en Sudáfrica.
Ni deporte, ni espectáculo, 22 robots corriendo un balón y una maquinaria mediática para seguir alienando al cerebro humano en un "show" funcional a la rentabilidad capitalista. El sistema se "Mundializa". Y la inteligencia humana pierde por goleada.
Fuente: http://www.iarnoticias.com/2010/secciones/contrainformacion/0047_mundial_de_los_negocios_31may2010.html


COPA DO MUNDO: Como é a Africa do Sul em 2010?
Miguel Lamas - Tradução: Silvia Santos
Fonte: El Socialista
Começada a Copa do Mundo, a TV nos mostra, além dos jogos, algumas cenas do país. Mas dificilmente nos mostrem as violentas contradições atuais desse país. Ali, sua população negra protagonizou uma rebelião heróica derrotando o regime racista do Apartheid. Mas hoje os brancos continuam sendo os donos das minas, fábricas, das melhores terras, dos bancos... Enquanto que os negros vivem majoritariamente na miséria.


População: 49.052.489 habitantes
79% de raça negra
20 milhões vivem com menos de dois dólares diários
12% têm AIDS
Pobreza: 50%
Desemprego: 30%
Expectativa de Vida: 48,9 anos


O governo sudafricano investiu em torno de 2 bilhões de dólares na construção e remodelação de estádios para um evento que durará um mês, e mais 1 bilhão em outras obras. Os estádios estão rodeados de casas precárias nas quais vivem milhões de pessoas todas negras. É claro que o governo afirma que os investimentos trarão enormes benefícios para Sudáfrica. Mas a população pobre e trabalhadora suspeita –e com razão- que, como sempre aconteceu, los benefícios somente cheguem a poucos, enquanto que as contas serão pagas por todos.

Em um país com 30% de desemprego, a construção de estádios, hotéis e outras obras, geraram demanda de trabalhadores. Mas, sob as duras condições de super exploração que impõem os empresários (a maioria brancos) os 70 mil trabalhadores da construção civil tiveram que fazer uma duríssima greve, com piquetes, para impor um aumento salarial de 13% sobre o salário miserável de 310 dólares que recebiam.

Frente a uma onda de greves por aumento salarial, em 09 de Maio o Presidente Jacob Zuma, chamou a “não fazer greves” enquanto dure a Copa. “Se recebes visita em casa não comeces a brigar”, afirmou Zuma. Evidentemente, os trabalhadores perceberam que a Copa é uma oportunidade para lutar pelas suas reivindicações.

O país mais desigual do mundo

Em 03 de Abril o dirigente ultra direitista racista Eugene Terreblanche morreu assassinado no seu sitio por dois empregados aos quais ele não pagava o salário. O fato reviveu o fantasma do ódio racial.

Hoje a maioria negra -80% da população- tem igualdade jurídica com os brancos. Mas a sociedade está profundamente dividida, sendo um dos países mais desigual do mundo. Em Johanesburgo, ademais de Soweto, está Alexandra, uma favela com mais de dois milhões de habitantes. Mas percorrer as ruas de Sandton –braço financeiro do cone sul africano- é como se trasladar a Europa. A segregação agora é social. Isto se reflete brutalmente na expectativa de vida que era de 61 anos em 1990, e de 48,9 em 2008 – uma queda que supera a dos países da ex URSS após a restauração do capitalismo. Este numero aterrador só pode ter uma explicação: a extrema pobreza junto com deploráveis condições sanitárias. O maior problema da saúde é a AIDS, que em 2007 afetou 18% da população entre 15 e 49 anos. Esta extrema pobreza está reservada à maioria negra. E os pobres entre os pobres, e os mais segregados, são os 10 milhões de imigrantes negros de outros países africanos que vieram em procura de trabalho.

A maioria branca (10% da população) continua sendo proprietária de quase todos os meios de produção: as minas, fábricas, bancos, terras, transporte, riquezas roubadas dos negros durante 300 anos de colonialismo. Associado com ela, uma pequena classe rica, negra, geralmente vinculada à corrupção dos lideres do partido governante, o CNA (Congresso Nacional Africano), que se mudou aos bairros fechados dos brancos com guardas armados e cercas eletrificadas.
O governo do CNA, desde o primeiro presidido por Mandela em 1994, não só não mexeu com as propriedades que os brancos tinham acumulado durante séculos de exploração aos negros, mas aplicou uma política neoliberal, favorecendo ainda mais aos brancos ricos. O capitalismo traz desigualdade e miséria, como no mundo inteiro. Mas em Sudáfrica isto se agrava pela sua história de opressão racial.

O presidente Zuma, de origem camponês da etnia zulu, ganhou as previas do CNA. E ganhou o governo prometendo governar em favor da maioria popular negra. Seu triunfo foi expressão do descontentamento popular com a desigualdade social. Mas, pertencente a uma elite dos ricos negros, suas promessas foram esquecidas no dia seguinte, e sua política continua a dos seus predecessores. Sem dúvida, somente uma nova revolução que acabe com o capitalismo, expropriando as minas, bancos, terras, grandes empresas e com um governo dos trabalhadores e dos camponeses poderá terminar definitivamente com a opressão da maioria negra.
Hoje Sudáfrica é um país capitalista semicolonial submetido ao imperialismo europeu e ianque, com seus empresários brancos que se sentem mais europeus que sudafricanos. A TV mostra preferentemente os setores modernos e as luxuosas construções feitas para a Copa, enquanto que a maioria popular e trabalhadora, negra, continua vivendo na extrema miséria.

Mandela e a derrota do Apartheid

Nelson Mandela é o herói nacional. Tem hoje 94 anos e esta retirado da vida política. Foi o líder que encabeçou a luta contra o sinistro regime da Apartheid imposto pela minoria branca. Foi preso durante 27 anos, desde os 44 aos 72. De acordo às leis da Apartheid, os negros, 80% da população, não tinham direito a votar e estavam segregados em quase todas as atividades. Não podiam entrar nos bairros brancos, nem a hotéis, escola ou transportes para brancos. Ademais, em 300 anos de colonialismo haviam sido despojados de quase tudo. A melhor terra e a propriedade das minas e fábricas estavam –e continuam estando- em mãos dos brancos.

A rebelião dos negros, encabeçada pelo Conselho Nacional Africano e a Central operária COSAT foi reprimida de forma sangrenta, milhares de ativistas foram encarcerados, torturados e assassinados. Mas a rebelião nãos e deteve e conseguiu apoio mundial, especialmente dos negros norte americanos, que conseguiram um boicote mundial contra o regime racista.

Finalmente, derrubaram o regime o Apartheid, isolado internacionalmente e frente a uma rebelião negra avassaladora. Em 1990 Mandela foi libertado, com base a um acordo com Frederick Le Klerk, o governante branco. Por esse acordo foi suprimido o Apartheid e foram convocadas eleições com base a “um homem, um voto”, a palavra de ordem democrática negra. Mas Mandela comprometeu-se a respeitar a propriedade dos brancos e a deixar impune seu genocídio contra os negros. Assim foi como em 1994 o CNA venceu as eleições levando Nelson Mandela à presidência, e que terminou incluindo no seu governo ao antigo líder racista Frederick Le Klerk.

A destruição do Apartheid foi um grande triunfo da rebelião negra, uma revolução democrática. Mas essa revolução foi congelada pelo pacto de Mandela com os brancos, que impediu que a derrota do regime se aprofundasse até a satisfação das necessidades postergadas do povo negro, culminando em uma revolução socialista que acabara com a propriedade dos brancos.

Praticamente não houve mudanças respeito do poder econômico monopolizado pelos brancos .Hoje Sudáfrica é um país com igualdade jurídica mas com a maior desigualdade social do mundo.