"A chispa"

Este blog é um espaço para o debate e para a produção de pensamento crítico desde a educação. A idéia nasce da tentativa de alguns estudantes e professores de História e Filosofia de socializar experiências e construir práticas alternativas; Fazer um processo coletivo de produção de conhecimento, indagando a função social do professor e ao mesmo tempo pensar a "práxis" de maneira coerente e comprometida com a nossa realidade social. Neste espaço debateremos questões teóricas relacionadas a educação e também abriremos o espaço ao debate político, pois é inegável a relação que existe entre educação e política. Convidamos a todos aqueles que queiram fazer o debate sério e propositivo. Mãos a obra e ao debate!

sexta-feira, 1 de abril de 2011


Crescimento econômico, elevação da escolaridade, e desigualdade social, correlações verdadeiras e causalidades imaginárias



Por Valerio Arcary*
Duas luvas da mão esquerda não perfazem um par de luvas.Duas meias verdades não perfazem uma verdade.
Eduard Douwes Dekker, alias,  Multatuli (1820/87) Ideias.
Se o vaso não está limpo, tudo o que nele derramares se azeda.
Horácio (65-68 a.C.) Epístolas 1.2.                                                                                                                                                        
O ano de 2010 se aproxima do fim e o Brasil, de resto, como costuma acontecer nas vésperas de todos os Natais, procura se reconciliar consigo mesmo e entra em “estado alterado de consciência”: o otimismo ingênuo de que, apesar de tudo, vamos bem. Essa é a tradição política do país e um dos traços peculiares de sua classe dominante. As retrospectivas na grande mídia são o momento culminante da infantilização política da sociedade. A divulgação do Plano Nacional de Educação serviu para que, mesmo em um tema especialmente embaraçoso, porque vergonhoso, seja possível um último suspiro de alívio. Os objetivos do Plano são ambiciosos, como devem ser todos os planos. E o argumento central do Plano é que é possível atingi-los elevando, em mais de uma década, o orçamento da educação Nacional de 5% para 7% do PIB, porque haveria sinergia entre a conquista das metas para a educação e o crescimento econômico, racionalizando recursos. Mesmo entidades como a UNE (União Nacional dos Estudantes) e a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), muito identificadas com o governo, adiantaram a defesa da reivindicação de um investimento de 10% do PIB.
O argumento deste artigo é que as metas do Plano, tal como foram apresentadas, não são possíveis com os recursos previstos. Não é sequer possível demonstrar uma causalidade direta entre a elevação da escolaridade e a redução do desemprego, ou entre o crescimento econômico e o aumento da escolaridade. As correlações entre estes indicadores existem, mas processos complexos têm múltiplas determinações que não se resumem a somente uma variável. Os dados disponíveis sugerem uma causalidade direta entre o crescimento econômico e a redução do desemprego, e entre a redução da desigualdade social e o aumento da escolaridade. Tudo o resto são ilusões.
O período histórico do pós-guerra que favoreceu a mobilidade social absoluta no Brasil parece ter ficado, irremediavelmente, no passado. Vinte e cinco anos depois do fim da ditadura militar, o balanço econômico-social da democracia liberal revela-se desanimador. As poucas reformas, como a implantação parcial do SUS, por exemplo, foram insuficientes para reduzir a desigualdade social. O impulso do crescimento econômico acelerado, que tinha sido o principal fator de coesão social entre 1945 e 1960, ou entre 1969 e 1979, se perdeu. A hipótese de que uma população mais educada mudaria, gradualmente, a realidade política do país, impulsionando um ciclo sustentável de crescimento econômico e distribuição de renda não se confirmou.
O que está em discussão é a ruína da ilusão gradualista na perspectiva de justiça social pela educação. Essa foi a esperança, especialmente forte entre os educadores, de que uma população mais instruída mudaria, gradualmente, a realidade política do país, impulsionando um ciclo sustentável de crescimento econômico e distribuição de renda. Embora existam correlações, pelo menos na longa duração, ou seja, a escala de décadas, entre escolaridade e crescimento econômico, não se identificaram causalidades diretas que sejam incontroversas. Nem o aumento da escolaridade parece ser um fator necessário (menos ainda suficiente) para o crescimento econômico, nem o desenvolvimento econômico se confirmou como fator indispensável para uma melhoria educacional.
Se fosse assim, a Argentina ou a Coréia do Sul, dois exemplos de sociedades que conquistaram – a primeira na primeira metade do século passado, a segunda nas últimas décadas – índices elevados de escolaridade, não teriam conhecido destinos econômico-sociais tão diferentes. A Argentina entrou em uma decadência político-social que culminou com uma crise revolucionária em 2001, enquanto a Coréia do Sul viveu uma industrialização extremamente acelerada que se expressou em significativo aumento do PIB per capitã.
Todas as promessas de que a educação seria o instrumento meritocrático que permitiria que, nos países de inserção periférica, cada um tivesse a sua justa função na sociedade, tremeram com a crise dos ajustes neoliberais do final dos anos noventa, e começam a desmoronar com a crise de 2008/09. A ideologia de que cada um tem o lugar social que merece é uma ideologia reacionária, porque naturaliza aquilo que não é natural. Legitima o que é desumano: a desigualdade social não pode ser diminuída pela ação do mercado regulado pela oferta e procura, porque a busca interminável do lucro impõe a sistemática redução de custos. O lucro alcançado nunca é o bastante. A elevação do salário médio, um indicador decisivo para a redução da desigualdade social, quando acontece em uma proporção maior do que o aumento da produtividade do trabalho, é considerado pelos liberais um fator inflacionário e inibidor dos investimentos, portanto, do crescimento econômico. A queda do salário médio, ao contrário, é avaliada como uma variável que favorece a atração de capitais.
Acontece que sem a elevação do salário médio da população mais escolarizada não há incentivo para as famílias se sacrificarem para manterem seus filhos estudando sem trabalhar. O que é mais grave, porém, é que o desemprego daqueles com maior escolaridade é maior do que daqueles que tiveram menos instrução.
O que a história ensina – mas ela tem poucos estudantes – é que a transformação social não é possível sem luta política organizada. Se o capitalismo resistir às reformas distributivas, e as classe proprietárias não estiverem dispostas a fazer concessões, a demanda social não fará senão aumentar, ou seja, a pressão objetiva da crise social vai ficar mais forte. Pressões objetivas podem ser contidas, por algum tempo, mas não indefinidamente. A experiência social foi sempre mais poderosa, historicamente, que as ilusões políticas.
* Valerio Arcary, é professor do IFSP (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia), e doutor em História pela USP.

Nota da CONEP - Psicologia


Nota da CONEP - Psicologia

Nota da CONEP em apoio aos Presos Políticos da manifestação contra a visita de Obama ao Brasil
A Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia - CONEP - procura colocar-se ao lado da classe trabalhadora em seus processos de luta, apoiando as resistências contra o imperialismo que explora e ceifa a vida dos trabalhadores no Brasil e no mundo. Dessa forma, é imenso o nosso repúdio a Dilma Roussef, Sérgio Cabral, Eduardo Paes, e à sua repressão policial que, por motivações políticas, deteve e posteriormente prendeu treze companheiros de luta. Os manifestantes foram presos em um ato em frente ao Consulado Americano no Rio de Janeiro, contra a visita de Barack Obama ao país. A prisão foi claramente uma forma de calar aquelas e aqueles que lutam coletivamente para expor as mazelas do imperialismo do capital, para deixar claro que Obama não é bem vindo em nosso país e que os acordos entre as burguesias brasileira e americana trarão mais exploração à maioria da população, que vive do trabalho.A CONEP está entre as muitas entidades que exigem imediata soltura dos presos políticos de Dilma, Cabral e Eduardo Paes, e prestamos total solidariedade e apoio à luta, neste momento tão difícil, de:Gilberto Silva - eletricista Rafael Rossi - professor de estado, dirigente sindical do SEPE Pâmela Rossi - professora do estado e casada Thiago Loureiro - estudante de Direito da UFRJ, funcionário do Sindjustiça Yuri Proença da Costa - carteiro dos Correios Gualberto Tinoco - servidor do estado e dirigente sindical do SEPE Gabriela Proença da Costa - estudante de Artes da UERJ Gabriel de Melo Souza Paulo - estudante de Letras da UFRJ, DCE UFRJ José Eduardo BRAUNSCHWEIGER - advogado Andriev Martins Santos - estudante UFF João Paulo - estudante Colégio Pedro II Vagner Vasconcelos - Movimento MV Brasil Maria de Lurdes Pereira da Silva - domésticaEm tempo, convidamos a todos que assinem a petição pública em favor da libertação dos 13 manifestantes presos:http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=PSTU"Na luta do bem contra o mal, é sempre o povo que morre" (Eduardo Galeano)

Domingo, 20 de março de 2011Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia


Estudantes protestam em frente ao Palácio Piratini

GRUPO REIVINDICA QUE 10% DO PIB NACIONAL SEJA DESTINADO A EDUCAÇÃO

Cerca de 200 estudantes ligados a centrais sindicais protestam em frente ao Palácio Piratini, no centro de Porto Alegre, na manhã desta quinta-feira. O grupo reivindica que 10% do PIB nacional seja destinado a educação. Eles também reclamam de cortes de verbas destinadas à educação no Estado e tentam a criação de um fundo para o setor de educação a partir da arrecadação do pré-sal. A presidente do Cpers/Sindicato, Rejane Oliveira, acompanha a manifestação. 

Por enquanto, o protesto não atrapalha o trânsito de veículos na região central da Capital. Essa é a sexta manifestação enfrentada pelo governo Tarso Genro desde o começo de seu mandato, em janeiro.


Fonte: correiodopovo.com.br 

terça-feira, 29 de março de 2011

MAKARENKO E PISTRAK


MAKARENKO (1888-1939): Biografia





Anton Semionovich Makarenko nasceu na Ucrânia. Makarenko era filho de um operário ferroviário e de uma dona-de-casa. Aprendeu a ler e escrever com a mãe, como a maioria das crianças da época, e logo depois foi matriculado numa escola primária. Lá, ele teve acesso às disciplinas de língua russa, aritmética, geografia, história, ciências naturais, física, desenho, canto, ginástica e catecismo, mas não pôde estudar sua língua materna, a ucraniana, proibida pelo império czarista na Rússia, nem lógica e filosofia, estudos exclusivos da elite.

Aos 17 anos, Makarenko concluiu o curso de magistério e entrou em contato com as idéias revolucionárias de Lênin e Máximo Gorki, que influenciaram sua visão de mundo e de educação.

Sua primeira experiência em sala de aula ocorreu em 1906, na Escola Primária das Oficinas Ferroviárias, onde lecionou por oito anos. Em seguida, assumiu a direção de uma escola secundária. Mais consciente do modelo de educação que queria aplicar, ampliou o espaço cultura, mudou o currículo com a ajuda de pais e professores e estabeleceu o ensino da língua ucraniana.
De 1920 a 1928, Makarenko viveu sua mais marcante experiência: na direção da Colônia Gorki, instituição rural que atendia crianças e jovens órfãos que haviam vivido na marginalidade.
Nesta escola, ele pôde colocar em prática um ensino que privilegiava a vida em comunidade, a participação da criança na organização da escola, o trabalho e a disciplina. Publicou novelas, peças de teatro e livros sobre educação, sendo Poema Pedagógico o mais importante.
Mais que educar, com rigidez e disciplina, Anton Makarenko quis formar personalidades, criar pessoas conscientes de seu papel político, cultas, sadias e que se tornassem trabalhadores preocupados com o bem-estar do grupo, ou seja, solidários.
Na sociedade comunista, o trabalho era considerado essencial para a formação do homem, não apenas um valor econômico. Makarenko aprendeu tudo na prática, na base de acertos e erros, primeiro na escola da Colônia Gorki e, em seguida, na Comuna Dzerjinski.
As dificuldades e os desafios têm muitos paralelos com os dos professores de hoje. A saída encontrada há quase um século correspondia às necessidades da época, mas servem de reflexão para buscar soluções atuais e entender a educação no mundo.
O mestre ucraniano concebeu um modelo de escola baseado na vida em grupo, na autogestão e na disciplina, contribuindo para a recuperação de jovens infratores. Segundo Makarenko, “é preciso mostrar aos alunos que o trabalho e a vida deles são parte do trabalho e da vida do país”.



 Principais Obras de Makarenko:

De acordo com Costa, Santos e Rodriguez (2003), a primeira obra de Makarenko demorou dez anos para ser escrita e recebeu o nome de Poema Pedagógico. Foi dividida em três volumes e publicada respectivamente em 1932, 1933 e 1935. Em 1937, ele publicou o Livro dos Pais e em 1938, As Bandeiras nas Torres. Tais autoras acrescentam que Makarenko escreveu, também, A Marcha do Ano 30 e F.D.I. Além de peças teatrais (Major e os Anéis de Newton), contos, encenações e uma novela (A Honra), e deixou um romance inacabado (Os caminhos de uma Geração).





PISTRAK (1888-1940): Biografia





Sobre a vida de Pistrak muito pouco se sabe. Roseli Salete Caldart explica que “sobre sua biografia quase não existem registros. O que sabemos, é que suas reflexões pedagógicas, elaboradas a partir de sua própria prática de professor e de militante socialista, tiveram bastante influência na educação da República Soviética, especialmente no final da década de 20 deste século que se despede, em pleno processo de construção da sociedade revolucionária. Numa fase posterior, sob a condução stalinista, a obra de Pistrak deixou de ser divulgada, o que talvez explique porque sabemos tão pouco sobre ele por aqui.” (CALDART, 2005, p. 7).

Moisey Mikhaylovich Pistrak foi um educador contemporâneo a outros grandes educadores e pedagogos russos, tais como Makarenko, Nadéjda Krupskaya, Pavel Blonsky e Vassili Lunatcharsky, ligados ao projeto pedagógico socialista que visava uma educação coletiva e vinculada ao movimento mais amplo de transformação social.

Em sua obra, Pistrak rejeita uma pedagogia que forma vassalos e defende a formação de cidadãos ativos e participantes da vida social
Após a Revolução Russa, a necessidade de se criar novas relações sociais entre os homens, através de uma "esperança coletiva" de se criar uma nova sociedade, por meio da fraternidade, da igualdade e do fim da alienação, tornou-se mais evidente.
Nesse contexto, Pistrak tinha sua visão voltada especificamente para o ensino primário e o secundário, que buscasse formar homens atentos e comprometidos com o presente, não alienados, criadores de seu futuro, buscando o bem comum através de uma coletividade.
Pistrak tinha o desejo de criar uma nova instituição escolar, pois a vigente transmitia um conteúdo implícito, através do currículo, de uma prática não verbalizada e que deveria ser questionada.



 Principais Obras de Pistrak:

• Fundamentos da escola do trabalho: Esta obra sistematiza a experiência pedagógica de Pistrak, na condução da Escola Lepechinsky, sendo atualmente a única obra do autor traduzida e editada no Brasil.




Bibliografia utilizada:




CALDART, Roseli Salet. Apresentação, In: PISTRAK, Moisey Mikhaylovich. Fundamentos da Escola do Trabalho. 4. ed., p. 7-15, São Paulo: Expressão Popular, 2005.

CARVALHO, Josué de; OLIVEIRA, Walas Leonardo de; COSTA, Wídina Moreira. Um olhar sobre a pedagogia socialista: a contribuição de Makarenko.

COSTA, K. A . da; SANTOS, F. A. dos, RODRIGUES, M. V. Makarenko: o pedagogo poeta. PROFISSÃO DOCENTE ON-LINE. Vol 2, Num 5, mai. 2003.
MAKARENKO, Anton S. Poema Pedagógico, 3 vols., Tradução de Tatiana Belinky. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1985.
PISTRAK, M.M. Fundamentos da escola do Trabalho: uma pedagogia social. São Paulo: Expressão Popular, 2000. (Tradução de Daniel Aarão Filho).

domingo, 27 de março de 2011

CONTRA O CORTE DE VERBA NA EDUCAÇÃO DE DILMA



Estudantes realizam protesto em Porto Alegre no próximo dia 28







Os estudantes realizam manifestação em Porto Alegre no próximo dia 28 para protestar contra o corte de recursos da educação pelo governo federal e pela aplicação de 35% da receita líquida do Estado na educação.

A concentração será no campus central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), às 10 horas. Em seguida, os manifestantes se deslocarão até o Palácio Piratini, sede do governo gaúcho.

O protesto também reivindica a definição de um calendário para realização de concursos públicos para professores e agentes educacionais na rede estadual de ensino: implementação do piso nacional do magistério com extensão aos agentes, melhor infraestrura para as escolas; recuperação da Fapergs; resgate da Uergs; e a elaboração de um plano estadual de assistência estudantil.

Site do CPERS/Sindicato, com informações de Ludimila Fagundes, da Assembleia Nacional de Estudantes Livres (ANEL)