"A chispa"

Este blog é um espaço para o debate e para a produção de pensamento crítico desde a educação. A idéia nasce da tentativa de alguns estudantes e professores de História e Filosofia de socializar experiências e construir práticas alternativas; Fazer um processo coletivo de produção de conhecimento, indagando a função social do professor e ao mesmo tempo pensar a "práxis" de maneira coerente e comprometida com a nossa realidade social. Neste espaço debateremos questões teóricas relacionadas a educação e também abriremos o espaço ao debate político, pois é inegável a relação que existe entre educação e política. Convidamos a todos aqueles que queiram fazer o debate sério e propositivo. Mãos a obra e ao debate!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

AUMENTO DE 10 MIL AOS DEPUTADOS E 30 REAIS AO SALÁRIO MÍNIMO

Deputados e senadores dão aumento de R$ 10 mil a seus salários e querem dar apenas R$ 30 ao salário mínimo 





ZÉ MARIA
Presidente nacional do PSTU e ex-candidato a Presidência da República




• Nesta quarta, 15 de dezembro, a Câmara de Deputados e o Senado Federal aprovaram, em tempo recorde, Projeto de Lei que aumenta os salários dos próprios deputados e senadores, dos ministros do Estado, do vice-presidente e do presidente da República para R$ 26.723,13, valor igual ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que representa o teto salarial dos servidores públicos.

A aprovação do Projeto vai representar um reajuste de 61,83% no salário dos senadores e dos deputados federais, de 133,96% para o salário do presidente da República e de 148,63% no do vice-presidente e dos ministros. O último reajuste destes cargos aconteceu há três anos, e a inflação oficial deste período foi de apenas 20%.

A proposta entrou de surpresa em votação na Câmara, antes mesmo de uma reunião da Mesa Diretora da Casa, que discutiria o assunto. E, depois de uma hora da aprovação relâmpago na Câmara dos Deputados, o Projeto foi aprovado pelo Senado. A votação no Senado durou apenas cinco minutos. Este aumento contou com o apoio de Lula e da presidente eleita, Dilma Rousseff, e a aprovação da ampla maioria dos partidos e parlamentares.

A pressa visa esconder da população o escândalo que significa a decisão, tomada pelos mesmos parlamentares e governantes que alegam ser impossível dar um aumento de mais de R$ 30 ao salário mínimo, pelas mesmas autoridades que insistem em congelar o salário do funcionalismo federal por dez anos, alegando falta de recursos. Este contraste expressa bem o caráter dos governantes e parlamentares que temos em nosso país.

Quando se trata de definir o valor dos seus próprios salários e dos principais cargos do Executivo, os parlamentares se esquecem do que pregaram em relação a necessidade de austeridade fiscal, mudam completamente o discurso, e aprovam projetos que aumentam ainda mais as já absurdas vantagens e mordomias dos principais cargos públicos.

É importante lembrar, inclusive, que a concessão destes reajustes exorbitantes, no nível federal, fatalmente levará a um “efeito cascata” trazendo reajustes igualmente absurdos nos salários dos políticos na esfera dos Estados e Municípios, como já demonstra o reajuste nos salários do Governador e dos Secretários de Estado em São Paulo.

O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) defende que os parlamentares, e também os cargos do Executivo e do Legislativo, devem receber salários iguais a de um trabalhador especializado. E, que seus salários, sejam obrigatoriamente atrelados a um número específico de salários mínimos, para que todas as vezes que os políticos aumentem seus próprios salários sejam obrigados a reajustar também o salário mínimo.

Nosso partido defende ainda a adoção imediata de instrumentos de revogabilidade dos mandatos dos parlamentares e dos membros do Executivo, para que quando eles atuarem de forma contrária as suas promessas de campanha seja possível para os trabalhadores e para o povo brasileiro interromperem os seus mandatos fraudulentos.

Os trabalhadores não podem confiar em um Congresso Nacional formado por políticos burgueses que privilegiam seus interesses privados em detrimento aos interesses do nosso país e da maioria de seu povo.

Exigimos da presidente eleita Dilma Rousseff e do PT que não aceitem a promulgação pelo Congresso deste projeto de lei absurdo. Ao contrário de concordar com o aumento dos salários dos políticos, o novo governo deve dobrar de forma imediata o salário mínimo ou reajustá-lo com o mesmo índice do reajuste do salário do Presidente da República, ou seja, 133,96%, rumo ao salário mínimo do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), calculado hoje em R$ 2.132,09 - o mínimo para que o trabalhador consiga garantir minimamente os gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

E exigimos também que o novo governo do PT abandone imediatamente a proposta de uma nova reforma da Previdência. O que sim, é necessário, é a garantia de um salário digno para a maioria dos servidores públicos que sofrem ano após ano com o arrocho salarial.

São Paulo, 16 de dezembro de 2010.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

OCUPAÇÃO NO RIO


Legalizar as drogas para combater o tráfico 




AMÉRICO GOMES, ADVOGADO DO ILAESE


• A grande burguesia brasileira e seus meios de comunicação tentam criar estereótipos sobre a legalização das drogas com afirmações como: “com a droga legalizada o seu consumo explodirá, pois seu status de “proibido” será derrubado atraindo muito mais gente para o consumo” . Ou produzindo caricaturas do tipo: “se a droga for legalizada, “drogados” ligados à criminalidade poderão comprar estas substâncias em qualquer esquina.” “Pedras de crack serão vendidas em botecos de qualquer favela” .

Como se o consumo e, principalmente o tráfico, estivessem ligados às camadas mais pobres da população e aos setores mais explorados da classe trabalhadora. Nada mais falso. Como atesta Pierre Kopp no livro “A economia da droga”, a droga movimentou cerca de 300 a 500 bilhões de dólares ao ano, abastecendo um mercado de aproximadamente 200 milhões de pessoas, uma quantidade nada desprezível. É um dos mercados mais rentáveis do mundo.

Cerca de 90% das receitas do tráfico vão para os bancos e são lavadas no sistema financeiro internacional. Somente os 10% restantes são repatriados aos países produtores e divididos entre os traficantes. A rentabilidade da droga é estimada em cerca de 3.000%, enquanto que os camponeses ficam com apenas 0,1% do volume final dos negócios.

Para a realização de toda esta operação, o sigilo bancário é um dos trunfos do narcotráfico, pois assim o sistema financeiro absorve os lucros do crime sem perguntar a origem. Assim, mais de 40 “paraísos fiscais” lavam os narcodólares. Enfim o narcotráfico é coisa de grandes capitalistas imperialistas.

Para se ter uma ideia, entre 1919 e 1933 vigorou a Lei Seca nos EUA, com a proibição da comercialização de álcool. Com isso houve um crescimento do comércio ilegal promovido pelas máfias, como a chefiada por Al Capone, lucrando muito, pois os preços foram multiplicados de 3 a 4 vezes.

O Brasil é considerado um dos principais corredores de drogas do mundo, e um “mercado em expansão”. Um dos motivos é que vários dos maiores bancos do país não informaram ao governo sobre contas suspeitas. A expansão do mercado ilegal de dólares (contrabando, narcotráfico) desenvolveu muitos esquemas para remessas ilegais de divisas para o exterior. Um exemplo são as contas CC-5 criadas pelo Banco Central à pessoas que residem no exterior mas que movimentam dinheiro no Brasil.

O Imperialismo e as drogas
Não é novidade que o comércio de drogas e o Imperialismo sempre mantiveram um grande envolvimento, como testemunham as guerras do ópio (1840-1860), quando a Inglaterra, gerente do tráfico de ópio, invadiu e derrotou a China para manter seu comércio.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a OSS (Oficina de Serviços Estratégicos), antecessora da CIA, fez acordos com a máfia italiana e Lucky Luciano, um dos principais traficantes da época: em troca de informações de espiões nazi-fascistas ele e vários mafiosos foram libertados das prisões. Quando voltou a Itália em 1943, pelas mãos da OSS, Luciano construiu seu império através da heroína.

A produção massiva de drogas somente foi possível com a Revolução Industrial. Como explica Osvaldo Coggiola em “Questões de história contemporânea”, “a grande transformação das economias monoprodutoras em narcoprodutoras (…) se produziu durante os anos oitenta, quando os preços das matérias primas despencaram no mercado mundial: açúcar (-64%), café (-30%), algodão (-32%), trigo (-17%). A crise econômica mundial exerceu uma pressão formidável em favor da narco-reciclagem das economias agrárias, que redundou num aumento excepcional de oferta de narcóticos nos países industriais e no mundo todo”.

Em dezembro de 1989, 13.000 marines invadiram o Panamá com o objetivo de controlar o canal do Panamá e também o tráfico pelo canal. Afinal, por aí, somente o Cartel de Medellín, com a ajuda de Noriega, exportou para os EUA entre 1984 e 1986, 2 toneladas de cocaína e 500 toneladas de maconha. Manoel Antônio Noriega, ex-agente da CIA e chefe da polícia panamenha, participou do financiamento das guerrilhas de direita contra o governo sandinista da Nicarágua, operação “Irã-Contras” (compra de armas no Irã para financiar a guerrilha anti-sandinista), tinha deixado de ser um homem de confiança e queria muitos lucros para si próprio.

Os rebeldes Mujhaidines (base da Al Qaeda de Osama Bin Laden), produziam ópio. A produção passou de 250 para 800 toneladas durante o tempo em que a CIA enviava armas à guerrilha para lutar contra os soviéticos. Os talibãs ordenaram em julho de 2000 a destruição dos cultivos de papoulas. A produção de drogas foi retomada depois da invasão militar dos EUA ao Afeganistão em 2001. Após a invasão, o Afeganistão superou a Colômbia e se tornou o maior produtor mundial de drogas (principalmente ópio e heroína) e, em 2003, o negócio faturou 2,3 bilhões de dólares, mais da metade do PIB do país. O Afeganistão produz atualmente 92% do ópio mundial.

E por falar em Colômbia, este país produz cerca de 80% da cocaína do mundo e o narcotráfico representa 10% do PIB. Na década de 1980, com a queda dos preços das matérias-primas no mercado mundial, os fazendeiros deixaram de produzir café para produzir cocaína. O governo colombiano autorizou empréstimos externos para eles com dólares trocados por pesos, possibilitando que o narcotráfico ampliasse a atividade econômica; deram anistias tributárias, por meio das quais foram incorporados e legalizados os investimentos dos narcotraficantes. Esse plano ficou conhecido como a Ventanilla Siniestra. O mega-traficante Pablo Escobar era deputado. Políticos, congressistas e presidentes (como Ernesto Samper e Álvaro Uribe) são acusados de terem pertencido e serem financiados pelos Cartéis.

Os EUA e a União Européia investem bilhões de dólares com o chamado “Plano Colômbia”. No entanto, as áreas de cultivos de coca que eram de cerca de 50.000 hectares, entre 1986-1996 e, após o Plano Colômbia, chegaram a 169.800 hectares (em 2001).

O processo contra o coronel Oliver North envolvido no caso Iras-Contra, como diz o jornal San José Mercury News, “demonstraram com nomes e fatos que por vários anos a CIA e a DEA estiveram em contato com os chamados cartéis colombianos, protegendo, a entrada de drogas nos Estados Unidos. Tal operação servia para encontrar fundos ilegais para financiar as forças opositoras ao governo sandinista da Nicarágua”,

Guerra à juventude negra e pobre
E quem são os mais prejudicados com a expansão deste mercado? Os jovens. Em 2002 é publicado um estudo tendo por base o envolvimento de jovens no tráfico na cidade do Rio de Janeiro na qual se demonstrou um aumento no número de crimes na década de 1990 e ao mesmo tempo a redução da idade do ingresso das crianças no narcotráfico. A média de 15-16 anos nos anos 1990 caiu para 12-13 anos em 2000. Os jovens são em sua maioria pobres, negros e com baixa escolaridade (média de 6,4 anos).

Pela legalização das drogas
Sob o capitalismo a droga é uma mercadoria, o tráfico se organiza como uma empresa que objetiva o lucro. Diga-se de passagem, uma empresa com milhões de trabalhadores precarizados, sem nenhum direito trabalhista e vivendo sob um regime do medo, podendo ser torturados ou mortos em qualquer momento.

No tráfico de drogas não existe um “livre-mercado”. A distribuição e a venda são comandadas por um número reduzido de grupos hierarquizados que controlam a fase mais rentável: a transformação da pasta-base em cocaína. Enfim o narcotráfico é o sonho de produção de todos os grandes capitalistas Em regiões como Califórnia, a maior produtora do mundo, e no Nordeste brasileiro a produção da maconha é comandada pelos latifundiários da droga.

A luta contra o narcotráfico exige a luta contra a lavagem de dinheiro com um ataque a todo o sistema de circulação de capitais. Com punição exemplar ao grandes traficantes. Fazendo a reforma agrária nas terras em que se produz droga ilegalmente; confiscando o dinheiro e propriedades advindas do tráfico e da lavagem; acabando com o sigilo bancário e centralizando o crédito nas mãos do Estado através da nacionalização dos bancos.

Além disso, o governo deixaria de gastar bilhões em policiamento e repressão e arrecadaria bilhões com os impostos de quem comprasse drogas em locais legalizados. Estes impostos que poderiam ser aplicados em Saúde, Educação, atividades culturais e recuperação de químicos dependentes Legalização das drogas significa junto aos camponeses uma política de substituição de cultivos.

As drogas seriam qualificadas para o consumo: “médico, terapêutico e recreativo”. E os consumidores cadastrados para o consumo com o acompanhamento de um centro de saúde. Com isso o uso da droga seria “controlado”. Os dependentes químicos se submeteriam a um tratamento público, eficaz e humanitário, com recursos do Estado. que fornecerá uma rede pública com centros de tratamento e profissionais qualificados e bem treinados.

Junto a isso, o governo continuará combatendo o consumo através de campanhas educativas que expliquem os malefícios do consumo exagerado de toda e qualquer droga. 

domingo, 12 de dezembro de 2010

ESQUERDA VOLTA AO DCE DA UFRGS



Esquerda vence eleição do DCE da UFRGS


No dia 24 de novembro foi anunciado o resultado das eleições para o DCE da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Após um ano de paralisia, a principal entidade estudantil gaúcha está na luta de novo.

Com 2.354 votos, a chapa UFRGS Pública e Popular, que unificou a esquerda na universidade, retomou o DCE para o caminho das lutas. A chapa da direita fez 1.130 votos e a chapa que defende um programa pró-governo obteve 887, mostrando que o discurso de uma universidade perfeita não encontra eco entre os estudantes que vivem a realidade da educação superior pública.

No final de 2009, a esquerda da UFRGS sofreu uma derrota após uma divisão que gerou duas chapas de esquerda. A direita, já organizada há três anos, conseguiu vencer e conquistar a direção do DCE.

O que poderia se tornar uma briga quanto a quem tinha culpa pela derrota da esquerda, tornou-se um movimento coeso de oposição. Já na primeira semana de março, antes de as aulas começarem, os lutadores e lutadoras da universidade se juntavam contra a implementação do projeto do Parque Tecnológico, na trincheira oposta ao DCE, que defendeu o projeto da reitoria. Impedimos que o projeto fosse votado sem discussão.

Durante o ano, diversas foram as lutas em unidade: a convocação dos CEBs, que o DCE não convocou, a formação da Comissão Estudantil de Investigação (que levou a público a corrupção da gestão), as calouradas unificadas etc. Tudo isso culminou em uma grande chapa com 740 apoiadores em toda a UFRGS.

Novamente, a esquerda estava unida em uma eleição para combater tanto a direita quanto o governismo, que havia inscrito uma chapa com bastante força - fato que não acontecia há anos na nossa universidade.

Foram mais de três semanas de muita confusão, tentativas de golpes e mostras de desespero da direita. Quatro membros da comissão eleitoral ligados à direita tentaram de tudo para boicotar e anular as eleições. Porém, nesse momento, se viu a força dos diretórios e centros acadêmicos unidos, que tinham oito membros na comissão eleitoral. Esses, em meio a grandes batalhas dentro da comissão, conseguiram combater os golpes e garantir o pleito.

A direita tentou de tudo. Desde se utilizar da lista de e-mails dos alunos, de que dispõe o DCE, para divulgar que as eleições tinham sido anuladas, que a nossa chapa havia sido impugnada, que a nossa chapa havia supostamente agredido integrantes da comissão eleitoral, até rasgar atas de urnas onde tradicionalmente a esquerda faz muitos votos. Mas os estudantes perceberam a manipulação. Nossa chapa se mobilizou e garantiu que haveria urnas para que os estudantes escolhessem democraticamente a próxima gestão do DCE.

Essa unidade na UFRGS se deu em uma conjuntura de unidade nacional dos setores de oposição ao governo. Foi, sobretudo, alavancada pelo Seminário de Uberlândia. Hoje, já podemos nos orgulhar da vitória em diversos DCEs.

Agora o momento é de reorganizar a casa e mostrar aos 23 mil estudantes da UFRGS que o DCE está junto a eles novamente. Nossa gestão tem condições de entrar para a história com lutas importantes, pois não serão poucos os ataques à educação em 2011.

O próximo ano será de muito trabalho, mas com a certeza de aproximar ainda mais o DCE dos estudantes e ter uma grande gestão unificada até o fim, para poder vencer com força todas as tarefas que teremos.

Por Pedro Silveira, da Direção de Juventude do PSTU Gaúcho



Vitória em DCEs e DAs fortalecem movimento estudantil gaúcho

Além da vitória no DCE da UFRGS, principal entidade do estado, a do DCE da FAPA mostrou a importância da unidade para derrotar os aliados dos governos e reitorias.


As últimas semanas foram de boas notícias para a esquerda combativa gaúcha. As eleições para o DCE da FAPA (Faculdade de Porto Alegre) culminaram com a vitória da Chapa 1 – “Da luta não me retiro – Oposição Unificada”, formada por estudantes da ANEL, Romper o Dia e independentes. Lá, o ano de 2010 foi marcado pela apatia de uma gestão coordenada pela direção majoritária da UNE (UJS/PT), que nada fez para fortalecer a luta dos estudantes das Universidades Privadas, além de se envolver em denúncias de corrupção.

Diante dessa situação a alternativa escolhida pelos estudantes foi clara: votar em uma chapa de luta e que apontou durante toda a eleição a necessidade de romper com a União Nacional dos Estudantes, que não serve mais para a luta. Com certeza foi uma grande vitória do ME combativa e da unidade da esquerda!

Além disso, a ANEL em conjunto com diversos coletivos e estudantes independentes foi vitoriosa na eleição dos DAs de Pedagogia, Letras, História, Ciências Sociais e Educação Física. Agora realizará no dia 05/12, no SindiCaixa (República, 92, Cidade Baixa), a partir das 14h, a II Assembléia Estadual da ANEL, com o intuito de unificar a luta do conjunto dos estudantes.

Por Matheus Pereira Gomes, da Direção de Juventude do PSTU Gaúcho





DCE-UFRGS NA LUTA 


Ontem, 24 de novembro, às 22:40, foi dado o resultado das eleições para o DCE da UFRGS: após um ano de paralisia, a principal entidade estudantil gaúcha está na luta de novo.

No final de 2009, a esquerda da UFRGS sofreu uma derrota após uma divisão que gerou duas chapas de esquerda. A direita, já organizada há 3 anos, conseguiu vencer e conquistar a direção do DCE.

O que poderia se tornar uma briga quanto a quem tinha culpa pela derrota da esquerda, pelo contrário, se tornou um movimento coeso de oposição. Já na primeira semana de março, antes de as aulas começarem, os lutadores e lutadoras da universidade se juntavam contra a implementação do projeto do Parque Tecnólogico, na trincheira oposta ao DCE, que defendeu o projeto da reitoria. Impedimos que o projeto fosse votado sem discussão.

Durante o ano, diversas foram as lutas em unidade: a convocação dos CEBs, que o DCE não convocou, a formação da Comissão Estudantil de Investigação (que levou a público a corrupção da gestão), as calouradas unificadas etc. Tudo isso culminou em uma grande chapa com 740 apoiadores em toda a UFRGS.

Novamente, a esquerda estava unida em uma eleição para combater tanto a direita quanto o governismo, que havia inscrito uma chapa com bastante força - fato que não acontecia há anos na nossa universidade.

Foram mais de três semanas de muita confusão, tentativas de golpes e mostras de desespero da direita. Quatro membros da comissão eleitoral ligados à direita tentaram de tudo para boicotar e anular as eleições. Porém, nesse momento, se viu a força dos diretórios e centros acadêmicos unidos, que tinham oito membros na comissão eleitoral. Esses, em meio a grandes batalhas dentro da comissão, conseguiram combater os golpes e garantir o pleito.

A direita tentou de tudo. Desde se utilizar da lista de emails dos alunos, de que dispõe o DCE, para divulgar que as eleições tinham sido anuladas, que a nossa chapa havia sido impugnada, que a nossa chapa havia agredido integrantes da comissão eleitoral, até rasgar atas de urnas onde tradicionalmente a esquerda faz muitos votos. Mas os estudantes viram de quem se tratava e nos apoiaram. Nossa chapa se mobilizou e garantiu que haveriam urnas para que os estudantes escolhessem democraticamente a próxima gestão do DCE.

Essa unidade na UFRGS se deu em uma conjuntura de unidade nacional dos setores de oposição ao governo. Foi, sobretudo, alavancada pelo Seminário de Uberlândia. Hoje, já podemos nos orgulhar da vitória em diversos DCEs.

A noite de 24 de novembro fica para a História. Com 2354 votos, os estudantes da UFRGS, após um ano de experiência com um DCE de direita que paralisou a entidade, botaram-na no rumo de uma universidade mais pública e mais popular, que defende a qualidade do ensino. A direita fez 1130 votos e o governo 887, mostrando que o discurso de uma universidade perfeita não encontra eco entre os estudantes que vivem a realidade da educação superior pública.

Agora o momento é de reorganizar a casa e mostrar aos 23 mil estudantes da UFRGS que o DCE está junto a eles novamente. Nossa gestão tem condições de entrar para a História com lutas importantes, pois não serão poucos os ataques à educação em 2011, reflexos da conjuntura mundial, como temos acompanhado na Europa e na América Latina.

2011 será um ano de muito trabalho, mas com a certeza de aproximar ainda mais o DCE dos estudantes e ter uma grande gestão unificada até o fim, para poder vencer com força todas as tarefas que teremos.



Vitória em DCEs e DAs fortalecem o Movimento Estudantil gaúcho!


As últimas semanas foram de boas notícias para a esquerda combativa gaúcha. A vitória no DCE da UFRGS, principal entidade do estado e no DCE da FAPA, nos mostraram a importância da unidade para derrotar os aliados dos governos e reitorias.
Na UFRGS, depois de um ano com a direita ligada ao PTB, PP e PSDB dirigindo a nossa entidade, retomamos ela para a luta. A chapa “UFRGS Pública e Popular – Oposição Unificada” formada por integrantes da ANEL, Romper o Dia, Levante, Vamos à Luta, Juventude Libre e mais de 700 estudantes, esmagou a direita e o governismo.

Apresentando um programa em defesa da qualidade do ensino e ligado as lutas do movimento estudantil e social, construímos um amplo debate na UFRGS sobre quais os rumos que o DCE deveria seguir em 2011. Três eram as propostas: a da Chapa 1 – “DCE Livre(?)”, que defendia a continuidade do projeto elitista de universidade defendido pelo DCE nesse ano e que posou ao lado de Yeda e Serra durante as eleições; a da Chapa 2 – “A UFRGS não pode parar!”, que tentou pintar a UFRGS de ouro e defender de qualquer maneira o projeto de Lula e da Reitoria; e o nosso de Universidade pública, popular e a serviço dos trabalhadores.

A luta para garantir o processo, ameaçado pela direita golpista, foi um fato que marcou as eleições, mas ao final, com muita mobilização conseguimos garantir a democracia na Universidade e a certeza de que no ano que vem o DCE estará novamente defendo os interesses dos estudantes e da classe trabalhadora.

Certeza essa, também podemos ter diante do resultado das eleições para o DCE da FAPA (Faculdade de Porto Alegre), que culminou com a vitória da Chapa 1 – “Da luta não me retiro – Oposição Unificada”, formada por estudantes da ANEL, Romper o Dia e independentes. Lá o ano de 2010 foi marcado pela apatia de uma gestão coordenada pela direção majoritária da UNE (UJS/PT), que nada fez para fortalecer a luta dos estudantes das Universidades Privadas, além de se envolver em denúncias de corrupção.

Diante dessa situação a alternativa escolhida pelos estudantes foi clara: votar em uma chapa de luta e que apontou durante toda a eleição a necessidade de romper com a União Nacional dos Estudantes, que não serve mais para a luta. Com certeza foi uma grande vitória do ME combativa e da unidade da esquerda!

Além disso, a ANEL em conjunto com diversos coletivos e estudantes independentes foi vitoriosa na eleição dos DAs de Pedagogia, Letras, História, Ciências Sociais e Ed.Física.

Agora realizaremos no dia 05/12 no SindiCaixa (República, 92, Cidade Baixa), a partir das 14h, a II Assembléia Estadual da ANEL, com o intuito de unificar a luta do conjunto desses e outros estudantes.




DCE da UFRGS: FORÇA FEMININA

Mulheres levam a esquerda de volta a DCE
Votação de estudantes coloca três jovens à frente do diretório central da UFRGS em 2011


É com força feminina que a esquerda voltará ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) de uma das mais importantes instituições de Ensino Superior do Estado, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Na gestão 2011, o poder será compartilhado por três coordenadoras-gerais que, além de reforçarem a posição das mulheres na política estudantil gaúcha, marcarão uma nova guinada na condução dos 23 mil alunos de graduação representados por elas.

No ano passado, quatro décadas de hegemonia da esquerda foram rompidas pela vitória de uma chapa formada por nomes vinculados a partidos como PP, PSDB e PMDB. Uma das razões apontadas para a derrota histórica foi a fragmentação de antigos aliados em três chapas diferentes. Este ano, até o nome da chapa 3, declarada vitoriosa na noite de quarta-feira, evidenciou a mudança de estratégia: UFRGS Pública e Popular – Oposição Unificada.

A coalização de grupos estudantis vinculados a partidos como PSTU e PSOL reconquistou o comando ao somar 2.354 votos contra 1.130. Outras duas chapas disputaram o pleito, marcado por impasses e confusões (veja quadro). A partir de dezembro, o DCE será conduzido por uma coordenação formada por Sayuri Dorneles Kubo, 23 anos e aluna de Jornalismo, Rejane Aparecida Aretz (Políticas Públicas), 28 anos, e Jéssica Nucci (Geografia), 22 anos. Rejane é filiada ao PSOL, e Jéssica foi candidata a deputada federal neste ano pelo PSTU.

– Defendo a filiação partidária dos estudantes, mas o DCE será autônomo e independente – sustenta Rejane.

Do ponto de vista acadêmico, a gestão deverá ser marcada pela defesa de medidas como a criação de mais cursos noturnos e o sistema de cotas – combatido pela atual gestão.
– A infraestrutura precisa melhorar – avalia Sayuri.

A nova reviravolta política também deverá reaproximar o diretório de organizações sociais, sindicatos e manifestações de rua. Tudo sob a coordenação de um trio que reforça a tradição do movimento estudantil gaúcho de formar líderes mulheres, a exemplo de Maria do Rosário e Manuela D’Ávila.

Saiba mais:

Algumas medidas defendidas pela nova gestão do DCE:
- Criação de cursos noturnos
- Investimentos em assistência, como ampliação de casas para estudantes e dos restaurantes universitários
- Aumento da bolsa estudantil de R$ 360 para pelo menos R$ 400
- Participação mais direta dos estudantes nas demandas à reitoria
- Defesa do sistema de cotas e da valorização das minorias


Alguns percalços do pleito:
- Denúncias de desvios de recursos, negadas pela atual gestão – que alegou motivação política
- Um estudante registrou queixa na polícia por suposta agressão cometida por integrantes da chapa vitoriosa
- A comissão eleitoral propôs voto online, que foi rejeitado pela chapa 3
- Um dos integrantes da comissão eleitoral afirma ter ingressado na Justiça para tentar cancelar o pleito

Fonte: Matéria publicada no Jornal Zero Hora, 26/11/2010.