O Mundial é totalmente sujo: Blatter já ganhou
Matteo Patrono
Rebelion
Contam os periodistas sul-africanos que a “suíte” renascentista escolhida pelo presidente da FIFA Joseph Blatter no hotel Michelangelo de Sandton, teria um tamanho tão grande quanto um campo de futebol. A suíte encontra-se em um hotel cinco estrelas no distrito econômico mais branco e mais rico de Johanesburgo. Monarca da República mundial da FIFA, Blatter construiu seu sucesso no trono da FIFA com os votos da confederação Africana e a promessa do primeiro mundial da história do continente negro. Isso explica porque é uma figura tão popular na região. A tal ponto que em um almoço de gala celebrado em Johanesburgo, o presidente sul-africano lhe incluiu na “Ordem dos companheiros de Oliver Reginald Tambo”. Tambo, junto a Mandela, foi um dos grandes lutadores contra o apartheid.
Nunca faltam pessoas dispostas a desmascarar as falhas na engenhosa máquina de gerar dinheiro de Blatter. Como o caso do semanário sul-africano Mail e Guardiam que nos últimos meses tratou de meter o nariz no grande negócio do mundial. Em razão da pouca colaboração do Comitê organizador sul-africano (LOC) se dirigiu a um juiz solicitando acesso aos documentos oficiais relacionados com os contratos da copa do mundo em nome da liberdade de informação. E antes que o tribunal emitisse sentença, começaram a surgir informações embaraçosas.
Para começar, tanto a FIFA como suas sociedades e delegações estão isentas de pagar impostos. Entre elas Host, a empresa do neto de Blatter, que administrou a reforma das estradas do mundial, os hotéis oficiais e os pacotes receptivos. Não haverá restrições para nada quanto importação e exportação de moeda estrangeira. Em um país onde sem seguro privado não há negociação em um hospital, o governo ofereceu ao exército de Blatter cobertura médica integral e seguridade privada 24 horas por dia. Uma importante fração das forças de ordem foi comprometida e dirigida ao que mais urge no coração do chefe da FIFA: proteger a exclusividade dos seus negócios comerciais, os fiéis patrocinadores em termos de marketing, marcas, propriedade intelectual. Em caso de controvérsias legais, O governo sul-africano comprometeu-se a pagar a FIFA uma indenização. É inútil declarar que os casos contra os falsificadores e os vendedores não autorizados do logo mundial se proliferam. Os vendedores de bebidas ao redor dos estádios são obrigados a transferir-se a lugares neutros com qualquer bebida que puder competir com as que estão há 40 anos nas arca da FIFA. Porém, o caso que mais repercutiu, foi o da linha aérea de baixo custo Kulula que recebeu uma carta com o objetivo de que retirasse imediatamente sua genial publicidade lançada nos diários locais em Fevereiro: “A companhia não é oficial, mas vocês sabem que é”... O fato repercutiu rapidamente no Twitter desencadeando debates e protestos bem resumidos por Heidi Brauer, diretora de marketing da Kulula: “És algo exagerado crer que tudo relativo à copa do mundo pertença a FIFA, as vuvuzelas, a bandeira nacional, o futebol, pertencem à África do Sul. E a África do Sul pertence à África do Sul. Parece que vendemos os símbolos e a economia ao senhor Blatter.”
Kulula retirou rapidamente a publicidade, mas a raiva por excesso de poder concedido a FIFA está muito difundida entre as pequenas e médias empresas sul-africanas que esperavam obter lucro com o grande acontecimento. Recordando que muitos dos processos judiciais na Alemanha há quatro anos pela FIFA ainda estão pendentes. E aqui volta ao jogo o Mail e Guardiam, cujo caso foi comentado anteriormente, um juiz da suprema corte de South Gauteng, lhe concedeu o direito de acesso aos documentos sobre os contratos. O comitê organizador que pretendia ser um organismo privado, livre da obrigação de transparência, deverá por a disposição do semanário, no prazo de trinta dias, a relação de sociedades que obtiveram a assinatura de contratos gerando milhares de rands. “Negar esses documentos – explicou o juiz Les Monson – permitiria aos organizadores ocultar da opinião pública eventuais casos de corrupção, violação ou incompetência. Torna-los públicos mostrará pelo contrário que não haverá nenhuma falsa versão ”. O diretor de Mail e Guardiam declarou que também eles, como todos sul-africanos, esperam com ansiedade o mundial, porém “esta vitória mostra que a liberdade de informação na África do Sul é uma lei viva e não um pedaço de papel.
Blatter abrirá com magnífica pompa em Johanesburgo o sexagésimo congresso da FIFA para confirmar que no próximo ano postulará para um quarto mandato. E até lá, não haverá completado sua missão.
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